«Quando tiveres a minha idade, dar-te-ás conta disso. Na minha idade, se levares às costas todas as tristezas que viste na vida, não te conseguirás levantar da cama todas as manhãs.»
John Updike, Coelho Enriquece, pág. 404.
[Porto: Civilização, Setembro de 2008, 498 pp.; tradução de Carmo Romão; obra original: Rabbit is Rich, 1981]
«Glenn Gould said, "Isolation is the indispensable component of human happiness."» [Contraponto] «How close to the self can we get without losing everything?»
Don DeLillo, “Counterpoint”, Brick, 2004.
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domingo, 12 de outubro de 2008
Perpetuidade
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sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Rumo
«Há uma fase na vida em que esta abranda de forma nítida, como se hesitasse entre continuar ou alterar o seu rumo. É possível que nesta fase seja mais fácil o azar vir ao nosso encontro.»
Robert Musil, “Grigia”, in A portuguesa e outras novelas, pág. 11.[Lisboa: Dom Quixote, 1.ª edição, Setembro de 2008, 230 pp. (novela: pp. 11-40); tradução de Maria Antónia Amarante; obra original (reunião de duas obras): Zwei Erzählungen, 1911; Drei Frauen, 1924.]
O abrandamento é o próprio prenúncio, seja ele imposto ou auto-induzido, de que o azar virá, travestido de mudança, ataviado de promessas, mesmo que exista a sensação de continuidade do rumo, obstinada e integramente, traçado num passado mais ou menos recente.
Há um desvio, na maioria das vezes imperceptível numa análise ex post facto, e indetectável no aqui e agora. Não, nunca mais. Já não iremos calcorrear as mesmas pedras ou saltar os mesmos obstáculos.
Porém, o azar é apenas desresponsabilização: se melancolia, é um vício que se vai alimentando de autojustificações até à inacção pulverizadora daqueles que nos amam; se infelicidade, é um grito surdo de desespero, uma súplica dilacerante para o alijamento final para não os magoar.
Há um desvio, na maioria das vezes imperceptível numa análise ex post facto, e indetectável no aqui e agora. Não, nunca mais. Já não iremos calcorrear as mesmas pedras ou saltar os mesmos obstáculos.
Porém, o azar é apenas desresponsabilização: se melancolia, é um vício que se vai alimentando de autojustificações até à inacção pulverizadora daqueles que nos amam; se infelicidade, é um grito surdo de desespero, uma súplica dilacerante para o alijamento final para não os magoar.
Caeteris paribus: a melancolia é uma variante do egoísmo que se desenvolve até ao estádio máximo da ruína ou da destruição, caminha por fim como uma alma penada de eremitério em eremitério, cristalizada no tempo; a infelicidade, ao invés, é a própria ruína, procura rapidamente um acto de altruísmo, sem qualquer tipo de dissimulação, para que o tempo apague os despojos dessa destruição.
É fácil ser-se feliz na melancolia, mas é um contra-senso ser-se melancólico na infelicidade.
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