«Glenn Gould said, "Isolation is the indispensable component of human happiness."» [Contraponto] «How close to the self can we get without losing everything?»
Don DeLillo, “Counterpoint”, Brick, 2004.
terça-feira, 24 de dezembro de 2013
sábado, 26 de setembro de 2009
Follas Novas
Quando visitava Santiago (há, pelo menos, nove ou dez anos que não ponho lá os pés), um dos pontos imprescindíveis do roteiro turístico era a livraria “Follas Novas” – a Díaz de Santos ficava sempre para segundo plano.Independentemente da denominação impudica em castelhano – o nome da loja está em galego, em espanhol seria qualquer coisa como “Hojas Nuevas” –, e dos trocadilhos mais ou menos infelizes a que isso dava origem, havia sempre uma visita à bem apetrechada livraria de Montero Ríos, com os livreiros mais bem preparados e qualificados que encontrei de todas as livrarias que visitei até aos dias de hoje – naquela livraria existiam verdadeiras bases de dados antropomórficas.
Para quem irá ler o romance enciclopédico de Roberto Bolaño, 2666, recentemente publicado em Portugal – já o li na sua língua original e talvez leia a versão portuguesa – irá reparar, no segundo livro “La parte de Amalfitano”, na breve referência que é feita à livraria, quando Amalfitano abre a caixa que continha os seus livros e surge misteriosamente um livro de um tal Rafael Dieste, cujo título era Testamento geométrico – parte importante da narrativa:
«Buscó en la primera página y en la última y en la contraportada alguna señal y encontró, en la primera página, la etiqueta cortada de la Librería Follas Novas, S.L., Montero Ríos 37, teléfonos 981-59-44-06 y 981-59-44-18, Santiago. Evidentemente no Santiago de Chile, único lugar del mundo en donde Amalfitano era capaz de verse a sí mismo en un estado de catatonia total, capaz de entrar en una librería, coger un libro cualquiera sin siquiera mirar la portada, pagarlo y marcharse.
»Se trataba, era obvio, de Santiago de Compostela, en Galicia.»
Roberto Bolaño, 2666 (Barcelona: Anagrama, 2004, 1126 pp.)
Serviria de presente. O destinatário estava escolhido. E, naquela noite de 24 de Dezembro, houve um par de olhos que brilhou com maior intensidade pela sua veneração musical à “Iguana”. Esse par cuja fulgência se apagou, em definitivo, há quase 7 anos… Razão de ser tudo isto que para aqui despejo.
terça-feira, 20 de novembro de 2007
Coisas que mudaram uma vida


A manhã, Deborah e a epifania do desespero:
«O som seguinte que ouvi foi “This is the end, beautiful friend. This is the end, my only friend, the end. I’ll never look into your eyes again.” Surpreendida por ouvir o “The End” dos Doors, tentei levantar-me da cama. Mesmo a dormir sabia que era uma canção pouco provável para estar a rodar numa manhã de domingo na Radio One. Mas não era rádio – era tudo um sonho.» (Deborah Curtis, Carícias Distantes, pág. 184)

Irei ver Control pela segunda vez, agora que o frémito curtisiano amainou…
Para já, planos e fotografia admiráveis; movimentos de câmara assombrosos (e.g. o percurso de Ian de casa ao trabalho – o Centro de Emprego de Macclesfield – envergando o blusão com a inscrição “HATE” nas costas); Sam Riley um prodígio; um final simbolicamente poderoso e envolvente.
Da primeira vez, fui o último a abandonar a sala de cinema… a sala parecia-me distorcida… baixei a cabeça, a porra da vergonha que por vezes enxameia a mente retrógrada de um macho latino.
«“The movie will begin in five moments”, the mindless voice announced. […] Silver stream, silvery scream. Oooooh, impossible concentration.»
quarta-feira, 27 de junho de 2007
Coisas que te fascinavam (I)
Acordei com a viva certeza de que a melhor homenagem que te podia prestar seria dar-te, por esta provável via etérea de perpetuação do meu estado espírito, aquilo que te empolgava e arrebatava do torpor que a azáfama do teu rigorosíssimo zelo profissional apunha nos teus momentos de lazer.
Um dia, lembras-te, trouxe-te uma fotobiografia de James Newell Osterberg de uma livraria de Santiago de Compostela.
Era o Natal de 1995 e ainda me lembro da tua alegria chispante de miúdo de 20 anos pelos pequenos nadas do tamanho do mundo… a vida toda pela frente.
(Não era, de longe, tal como no meu caso, das tuas preferidas, mas o epíteto fica-te tão bem.)