Mostrar mensagens com a etiqueta Futebol. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Futebol. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Massa Assobiativa

Já foi o Costa (José Alberto), ou o Semedo, ou o Sérgio Conceição, agora é o Quaresma. Todos, jogadores de futebol de primeira água que passaram pelo meu clube e cujas carreiras contribuíram de forma indelével, ao longos dos últimos anos, para o engrandecimento do seu nome, mas que nunca caíram no goto de um conjunto de adeptos que, nada entendendo de futebol, escolhe em cada época desportiva um bode expiatório, a equipar de azul e branco, para descarregar porventura as suas frustrações diárias que uma mentalidade e uma vidinha medíocres não deixam ultrapassar.
Sou sócio desde 1976 (ainda nem sequer havia completado 4 anos) e era muito novo quando comecei a acompanhar o meu pai ao futebol. Lembro-me do extinto “tribunal” (no falecido Estádio das Antas, situava-se na Superior Sul junto à Bancada da Maratona, este último e a Arquibancada eram os locais onde assistíamos aos jogos) e das invectivas contra os nossos jogadores.
Os anos foram passando e o “tribunal” disseminou-se por outros locais do estádio – fenómeno que ocorreu ainda no velhinho estádio quando, no advento do futebol como negócio sujeito às regras empresariais, surgiram os lugares marcados com bilhete de época. Por todo o lado espalhou-se o vírus da assobiadela crónica de pendor masoquista. Curiosamente, esses que assobiam os jogadores da equipa de que se dizem sócios e adeptos não pertencem nem aos proscritos Super Dragões, nem ao Colectivo 95, como não pertenciam à extinta claque dos Dragões Azuis. Esses, fazem parte da Massa Assobiativa – expressão usada pelo meu pai, quando armado de Mao Tsé-Tung das Antas, tentava educar, repreendendo, essas alimárias ditas portistas, atitude que lhe valeu alguns insultos –, o extinto “tribunal”, e são, na verdade, uma imagem fiel do povinho português que desdenha do êxito, não do alcançado pelos outros, os rivais – isso seria inveja –, mas do sucesso que, com esforço, aqueles que esses dizem admirar lograram alcançar – a isto chama-se mediocridade.
Esses involuntários paladinos da mediocridade são os tais que assobiam as claques quando estas entoam os famosos cânticos de ode às mães dos adeptos do SLB, mas que, ao invés, não se inibem de, na altura de soltar as suas frustrações quotidianas, amesquinhar aqueles que lhes dão as poucas alegrias que podem (ou poderão) desfrutar nas suas vidas miseráveis.
Insultar o Quaresma, é insultar o melhor jogador português a actuar dentro de portas, o activo mais valioso de uma sociedade anónima desportiva que tudo deveria fazer para o proteger e, acima de tudo, um dos poucos que de azul e branco vestido nos sacia a sede de magia tão rara no panorama futebolístico nacional.
Mas, o que dizer daqueles que o fazem contra o vento e que, para além de tudo, se pavoneiam em público, orgulhosos e húmidos, pela sua infeliz incontinência?

*Eu sei, fui muito polido…

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Tolerância. Coexistência.


Enquanto Tarik agradecia a Alá, na baliza oposta Helton erguia os braços para o Céu.
O Meio também se faz de tolerância...

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Um problema de saúde oral

Jesualdo Ferreira

Definitivamente, este homem terá de aprender a lavar os dentes, começando por um programa intensivo de redefinição do próprio conceito.

É a consequência normal do excesso de placa bacteriana... mental.

Chegou a altura certa para a cobrança divina da protecção determinada no 3.º segredo: Fátima exige uma intervenção urgente do Papa.

terça-feira, 10 de julho de 2007

Liquidação Total

A FC Porto, Futebol SAD em época de saldos:

Pepe

Quem se seguirá?
Quaresma? Lucho? Bosingwa? Os três em simultâneo com rapel e desconto de 5% em caso de pronto pagamento?

Agora, V. Exas., senhores administradores bem remunerados, não se esqueçam de me enviar mais uma carta com a mensagem cada vez mais enganadora: “O Seu Lugar no Palco das Emoções”.

O cúmulo da desfaçatez: pedir 450 euros pelo meu antigo lugar anual para lutar pelas posições que dão acesso às competições europeias!

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Indignação


Parabéns à caterva que gere e representa a FC Porto, Futebol SAD – sociedade em que 40% do capital é detido directamente pelo meu clube –, por haver desbaratado o seu melhor activo. Razão tinha o António Oliveira para votar contra esta administração calamitosa.

Tomei uma decisão: Há dias já organizava com um conjunto de familiares e amigos a retoma dos nossos lugares anuais com bilhete para a época inteira. Todavia, perante este atentado bárbaro, grosseiro, sem qualquer tipo de pudor, ao clube do qual sou sócio há 31 anos – nasci em 1972 e sou sócio desde 1976 – e como forma de demonstrar o meu mais veemente repúdio pela decisão tomada:

Não irei adquirir o “Dragon Seat 2007/2008”.

Nota: espero que outros me sigam o exemplo. Chegou a hora de dizer BASTA!

terça-feira, 22 de maio de 2007

Uma questão de cor...

E um golinho certo defendido com a mão por... um defesa, cujo nome curiosamente começa por "r"... Renato (26/01/2007: U.Leiria - 1 FC Porto - 0).



Para o Pedro Correia e o Henrique Fialho.
(Sinceramente, este é o tipo de discussão que não me interessa e por aqui termino, em definitivo).

quinta-feira, 29 de março de 2007

Portugalidade assimilada

Diz que é uma espécie de seleccionador!

Para quem é estrangeiro, cedo se travestiu da mediocridade lusa e, como todo o autóctone médio, vive a vida a jogar para o empate, despreza os melhores e, a juntar a tudo isso, é rancoroso.
Mas afinal não veio esta luminária do Brasil?
Em 1500, Pedro Álvares Cabral…

quarta-feira, 14 de março de 2007

Desejos

Vai animada, dentro dos limites que o bom senso clubista permite, esta pequena charla entre o Rui e o Luís, respectivamente, um lagarto atacado de uma indómita simpatia pelo tricolor da Reboleira e um lampião que, qual Gregor Samsa propenso ao mundo vegetal, se metamorfoseou numa melancia, à qual não escapam as inevitáveis pevides potencialmente asfixiadoras.
O mote foi dado pelo Luís ao envergar uma camisola de tom verde num evento público – que penso ter sido este – o que proporcionou um momento de fina ironia ao esverdeado Rui.
Eu confesso que, apesar da simpatia tricolor que me irá assolar no decurso desta semana com culminância na próxima segunda-feira – e se fora metaforizado num qualquer vegetal, entalar-me-ia pelas eventuais sementes de destruição deixadas pelos rapazes da Amadora em solo supostamente Invicto –, entendo a dolorosa, porém breve, transmutação do Luís apelando à minha memória de outras épocas, onde as conveniências me faziam aproximar de terreno inimigo.
Contudo, duvido que ambos carreguem um fardo superior ao meu, desde que há quase dez anos resolvi enclausurar-me numa vida a dois, sendo a contraparte de verdes simpatias, facto que foi agravado pela lagartização que, por reacção ao fanatismo draconiano deste que vos escreve, se aproxima perigosamente dos limites do tolerável no que se refere aos deveres conjugais de zelo e de respeito mútuo.

Não sei se se trata de um indício para o que poderá ocorrer nas lides futebolísticas do próximo fim-de-semana, mas o evento produzido pela
Guerra & Paz – e que bem fica neste texto a denominação da editora de Manuel Fonseca – a que ambos se referem, tratou da apresentação de um livro de um reputado benfiquista e que foi apresentado quer no Porto, quer em Lisboa, por dois ilustres representantes da causa azul e branca.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

Aquilo que interessa

Medir a riqueza de um clube pelo potencial das receitas, é como analisar um quadro pela qualidade da tela e das tintas usadas na pintura.
Se quisermos ser simplistas e de alguma forma atribuir algum significado ao nosso estudo, não basta a eventual grandiosidade do nome do investigador para conferir validade científica aos resultados alcançados.
Uma hipótese, igualmente pouco trabalhosa, consistiria na análise do denominado Book Value (ou valor contabilístico). Nesta óptica o valor de uma qualquer empresa mede-se pela diferença entre os seus activos (bens e direitos) e passivos (obrigações), a que convencionámos chamar de Capital Próprio ou Situação Líquida. Embora seja um método simplista e assaz redutor, na medida em que por exemplo não entra em linha de conta com as potencialidades futuras face à capacidade instalada – neste caso o método dos Discounted Free Cash Flows é dos mais usados –, entra em linha de conta com massas patrimoniais de sinal contrário e implica, uma vez mais, informação fidedigna (clara, fiável e comparável), situação que é prejudicada pela não cotação em bolsa de equipas como o Benfica, Real de Madrid e Barcelona, devido às regras apertadas de uniformização, monitorização e de apresentação de factos relevantes susceptíveis de influenciarem as decisões de investimento dos denominados stakeholders.
Assim, a Deloitte desculpabiliza-se no preâmbulo do seu estudo:
«There are many ways of examining the relative wealth or value of football clubs – and at Deloitte we have developed sophisticated models of anticipated future cash flows to help potential investors or sellers do just that. However, for an exercise such as this, there is insufficient public information to do that. Here – in the Deloitte Football Money League – we use income as the most easily available and comparable measure of financial wealth. Income, like salary for an individual, is not the be all and end all of ‘richness’, but all would agree that – as a starting point – it is better to have more than less, and the choice of how to spend it.»
In Football Money League: The Reign in Spain, Deloitte, February 2007, p. 2

Porém, indo ao que realmente interessa – à parte desportiva – temos esta classificação relativa aos últimos 10 anos – European Club Ranking 1997-2006:

1.º) Real Madrid CF – 1.249,95 pts.
2.º) FC Bayern München – 1.239,67 pts.
3.º) FC Barcelona – 1.228,10 pts.
4.º) Manchester United – 1.227,60 pts.
5.º) Juventus FC – 1.138,82 pts.
6.º) Arsenal – 1.135,49 pts.
7.º) FC Porto – 1.100,07 pts.
8.º) Internazionale FC 1908 – 1.080,52 pts.
9.º) PSV – 1.057,47 pts.
10.º) AC Milan – 1.039,34 pts.
(…)
33.º) Sporting CP – 740,73 pts.
(…)
35.º) SL Benfica – 717,00 pts.
(…)
55.º) Boavista FC – 587,70 pts.


Posto isto, vou ver se consigo deixar de falar de futebol nos próximos tempos, enquanto assisto ao enterro antecipado do meu clube pelos Media.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

Crónica de um portista arrebatado

O desafio foi sugerido pelo Ricardo, um companheiro de paixão clubística que, acudido por uma indelével memória onírica, convidou a blogosfera que se revê no azul e branco draconiano a postar as rememorações de um passado recente de alegrias e vitórias.

Uma paixão não se explica, não se arrazoa, nem pode ser entendida por quem dela não partilha o arroubamento, a entrega e um desvairado sentimento de protecção da coisa amada. É um amor exacerbado que os compêndios do comportamento humano não conseguem explicar que não seja por meras suposições e preconceitos subtractivos da razão do sujeito que ama sem condições, hipóteses ou regras de conduta.
Os apoucadores da paixão alheia soem relacioná-la com um estado de violência latente que se poderá materializar num ensandecimento lesivo da sã convivência. Embora não haja paixão sem impetuosidade – o tal ardor que nos consome as entranhas –, a sua exteriorização jamais se poderá confundir com violência; essa é um subproduto dos que supostamente amam, porque um verdadeiro apaixonado não utiliza o sujeito ou o objecto da sua paixão em serviço de outros desígnios que não sejam o alimento da própria alma.

Em Abril de 1984, tinha eu 11 anos, o FC Porto defronta o então temível Aberdeen FC de Alex McLeish e de Gordon Strachan, treinado por Sir Alex Ferguson. Disputar-se-ia a meia-final da extinta Taça dos Vencedores das Taças. Na 1.ª mão o meu Porto, num jogo inesquecível do extremo esquerdo Costa (José Alberto), ganhou por 1-0 com um golo do bi-bota Fernando Gomes aos 14 minutos de jogo. Lembro-me bem da sensação que dominava os portistas após o interminável abandono do estádio naquela quarta-feira fria de Primavera: a exibição foi portentosa, o resultado foi escasso e temíamos o poderio do adversário no jogo seguinte que se iria disputar na paisagem sombria de terras da Escócia.
Aberdeen, Escócia, Abril de 1984. Noite cerrada de nevoeiro. Um estádio repleto de fervorosos adeptos escoceses assiste à esmagadora superioridade defensiva do FC Porto – recorde-se que nessa época o Porto foi campeão nacional, tendo a defesa constituída por João Pinto, Inácio, Eurico e Lima Pereira apenas permitido o marcação de 6 golos pelas equipas adversárias – e um temível contra-ataque liderado por Gomes, Costa e pelo recém-entrado Vermelhinho. A exibição de Costa na 1.ª mão permitiu levar consigo para o flanco direito – flanco que viria a ocupar com a substituição – 3 jogadores do Aberdeen. Após um ataque da equipa escocesa alguém passa a bola a Vermelhinho que, havendo apenas corrido alguns metros, remata do meio campo para um monumental “chapéu” ao guarda-redes escocês. Estavam decorridos 76 minutos de jogo, o meu FCP acabara de se qualificar para a final de Basileia, onde veio a perder o troféu para a poderosa Juventus – que eliminara nas meias-finais o Manchester United – após os tristes acontecimentos com uma arbitragem de um senhor de nome Adolf Prokop, oriundo da ex-RDA, que de negligente nada teve…

Aqui fica o relato do golo de Vermelhinho pelo saudoso Gomes Amaro – não há portista da minha geração em diante que não se lembre dele – no Quadrante Norte (o som global!) com João Veríssimo, da noite recordo ainda um estádio inteiro, desportivamente, a aplaudir de pé a conquista do meu FC Porto:

Ficheiro wave (gravação arrancada a uma velhinha cassete Sonovox que repousava no pó da minha arrecadação)

domingo, 7 de janeiro de 2007

Glória aos Vencedores…

Castigo aos vencidos.
A displicência e a falta de motivação. Prefiro antes a soberba e o menosprezo pelo adversário, que devem servir para cobrir de vergonha aquele balneário repleto de pequenos milionários.

Honra ao Atlético que partiu de autocarro de Lisboa pelas 7 da manhã, chegou ao Dragão e demonstrou a garra e a humildade dos pequenos que se agigantam perante o desafio.

Jesualdo deverá reflectir sobre as palavras que ficaram por dizer e que agora de nada servem.

Parabéns de um portista ao Atlético Clube de Portugal!

quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

Anotações e Transcrições – 6

Começo com os V’s que, nada tendo que ver com o inimitável Pynchon, se constituem numa trindade cujo silêncio, acaso ajustado, atordoa de tão hermético: Valentim, Veiga e Vieira.
Há silêncios que, face ao estridor impudico precedente, não se conseguem explicar à luz de uma linearidade de comportamento que se preza e na qual se deverão basear os mecanismos judiciais para uma correcta aplicação do direito, não só no estrito cumprimento da sua missão de reparação do dano e de compensação da perda, como também no seu fim último de prevenção, ou seja, reduzir a probabilidade de ocorrência de casos similares.
Face ao exposto, nada melhor que as excelsas palavras dos outros, perante a dolorosa assunção de uma certa fadiga intelectual sobre o assunto, quando aquelas vêm de encontro às diversas interrogações que se apoderaram de mim desde a publicação da obra-prima do momento, pela ilustre e desinteressada editora Dom Quixote.

Eis as palavras [os destaques são da minha inteira responsabilidade]:

«A bota pode ser a do Ricardo Quaresma, o mais genial jogador do campeonato português – tal como já o era no ano passado, queira Scolari ou não queira. A perdigota pode ser a D.ª Carolina Salgado, que actualmente simboliza muito bem aqueles que chegaram ao futebol por acaso ou caminhos ínvios, dele se alimentaram para tentarem ser alguém e que a ele só trouxeram vergonha e sujidade. Há quem prefira o futebol à maneira da D.ª Carolina; eu prefiro-a a maneira do Ricardo Quaresma. Se vou para a bancada do estádio é por causa de jogadores como o Quaresma; se não me aproximo dos camarotes é por causa de pessoas como a D.ª Carolina, que por lá habitam.

Há três anos que venho dizendo isto e peço desculpa por me repetir: o grande embaraço do Apito Dourado é que desde o início que se tornou óbvio, para quem tenha alguns conhecimentos de direito ou algumas preocupações em ver a justiça ser feita, que as expectativas que muitos alimentaram à sua conta não encontravam correspondência nos factos do processo. Ou, por outras palavras, o grande objectivo de 80 por cento daqueles que obcecantemente falam, escrevem e sonham com o Apito Dourado – a saber, o entalanço de Pinto da Costa e do FC Porto – esbarram miseravelmente no pouco interesse que despertam as manigâncias do FC. Gondomar e de um pequeno exército de sombras gravitando à roda do major Valentim Loureiro. E isso, manifestamente, não interessa aos entusiastas do Apito Dourado: não é o Gondomar que interessa, é o FC Porto; não é Valentim Loureiro, é Pinto da Costa. Que chatice, não bater a bota com a perdigota!

Com grande esforço e voluntarismo, alguns magistrados do Ministério Público fizeram o que puderam para chegar onde a maioria queria: descobriu-se um árbitro que terá ido beber um café a casa de Pinto da Costa, antes de um palpitante FC Porto-Rio Ave para a Taça de Portugal, e outro que terá pedido a alguem que pediu a alguém ligado ao FC Porto duas meninas para se entreter antes de arbitrar o terrível FC Porto-Estrela da Amadora, disputado numa altura de 2004 em que o FC Porto já tinha uma vantagem irrecuperável para ser campeão e estava a dias de ganhar a Champions, enquanto o Estrela da Amadora já não tinha forma de evitar a despromoção. Eis um problema sério: como encontrar aqui interesse em corromper um árbitro, como descobrir o móbil do crime?

Segunda contrariedade: quem é que as escutas telef6nicas revelaram como grande
pivot do Apito Dourado
, verdadeiro patrão do jogo de sombras do futebol português? Valentim Loureiro. E quem é que deu o poder a Valentim Loureiro e com ele dividiu os cargos e influências na Liga de Clubes? O Benfica e Luís Filipe Vieira. Quem é que as escutas apanharam a escolher com ele ao telefone o árbitro que convinha ao seu clube? Luís Filipe Vieira. Quem é que lhe telefonou a pedir a interdição do campo do adversário e depois lhe prometeu «um beijinho» pelo favor feito? José Veiga. Que chatice, querem ver que a Justiça é cega?

Mas eis que agora, subitamente, um
sirocco
de esperança varre as almas justiceiras! Ainda nem tudo está perdido, ainda se pode fazer justiça! Graças à chegada aos acontecimentos de duas mulheres, já há benfiquistas que desabafam comigo que para o ano o FC Porto estará na II Divisão, tal como a Juventus, em Itália (já lá vai o tempo em que eles acreditavam poder vencer-nos: agora querem-nos é longe da vista e dos relvados...) Carolina Salgado, juram-me, vai ser a «testemunha-chave», «a mulher de coragem», como atestam a Leonor Pinhão e aquele Dr. Bexiga, ex-vereador de Gondomar, que, depois de a ouvir confessar que contratou e pagou aos que lhe deram uma coça, chegou à conclusão que ela era «um exemplo cívico» (mais uma e ele ainda a propõe para a Ordem do Infante...) O povo espera, obviamente, que o governo abra uma excepção às restrições orçamentais e que aplique parte do dinheiro dos nossos impostos e do nosso trabalho a garantir adequada protecção e recompensa a esta testemunha preciosa, cuja credibilidade, desinteresse e carácter moral estão amplamente expostos naquela coisa edificante a que a Editora D. Quixote resolveu chamar «livro» e que deve ser, com certeza, um modelo daquilo que os novos admiradores da D.ª Carolina gostariam de ver exposto acerca de si próprios, no dia em que os seus cônjuges resolvessem vingar-se deles. Valha-nos Carolina Salgado para perceber em que campo moral cada um se situa e como o futebol português é, de facto, o território do «vale tudo». Mas o povo também espera que a Dr.ª Maria José Morgado faça jus à sua fama de arrasa-criminosos e consiga descobrir finalmente o móbil do crime portista, nem que para isso tenha de mandar torturar, um por um, todos os árbitros portugueses, incluindo até Lucílio Baptista e todos os que apitaram jogos do Benfica, na gloriosa caminhada rumo ao titulo de 2004/05. Dela se espera bem mais do que aquele caricato episódio de um juiz de instrução a ouvir três peritos em arbitragem para ver se eles conseguiam detectar, no vídeo do célebre FC Porto-Estrela da Amadora (4-1), provas concludentes sobre a corrupção do árbitro, coisa que, estranhamente, não se tornou patente.

Mas há uma coisa que, nem que Cristo descesse à terra para dirigir pessoalmente as investigações do Apito Dourado, se conseguiria desfazer: é esta chatice da verdade do futebol jogado dentro dos relvados e que todas as semanas pode ser constatada por quem segue o assunto e ainda gosta de futebol, E aí, nesse território da verdade, o que a memória dos últimos largos anos nos diz é que, tirando esporádicos intervalos, o FC Porto é a melhor equipa portuguesa a léguas de distância das outras e uma das melhores equipas da Europa e do Mundo. Não deve ser coincidência que quem por lá passa, seja jogador ou treinador (e, em especial, se vindo dos rivais directos), não se cansa de repetir que ali encontrou uma organização, um espírito de equipa e uma cultura de vitória como em lado algum. E, depois, há equipas como a do Baía, do Ricardo Carvalho, do Deco, do Derlei, ou esta do Helton, do Pepe, do Quaresma e do Anderson, que todas as semanas mostram num canal perto de si que só por absoluto fanatismo e má-fé é que é possível pretender que não é a eles que se devem as vitórias, mas sim aos árbitros – aqui, na Europa e no Mundo.

O FC Porto de Jesualdo Ferreira acaba de encerrar de forma brilhante dois ciclos de jogos, com uma interrupção de dez dias pelo meio, em que foi o único representante português a ultrapassar a fase de grupos na Champions e se afirmou internamente como o grande candidato ao título. Foram 13 jogos, quase todos sem Anderson, alguns arrostando com arbitragens prejudiciais, outros encaixando a quase violência dos adversários, e apenas cedendo, no final, dois empates: um em Alvalade, no campo de um rival directo, e outro contra o Arsenal, em que só o azar impediu a vitória. Nunca o Apito Dourado deu tanto jeito para desviar as atenções!
»

Por Miguel Sousa Tavares, "Não bate a bota com a perdigota", in A Bola, 19/12/2006

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

Anotações e Transcrições – 5

Começo pelos pertinentes destaques de João Gonçalves no Portugal dos Pequeninos [Maria José]:
«Excelente escolha, a de Maria José Morgado para "coordenar" a investigação ao funesto "apito dourado". Oxalá não lhe faltem meios, pessoas e apoio como lhe faltaram no passado, na PJ, no combate ao crime "de colarinho branco".»
E, citando o Vasco Pulido Valente:
«Sucede que a corrupção no futebol é uma ínfima parte da corrupção geral do país. E serve sobretudo para a esconder.»

A visibilidade do futebol, a que se junta alguma anestesia social que tolda o conhecimento de toda uma plêiade de direitos consagrada na Constituição e cujo denominado cidadão comum é o seu mais directo beneficiário, conduz-nos, de forma quase irrefutável, àquela asserção proferida por VPV, oportunamente transcrita pelo João.
Desafortunadamente, a corrupção tornou-se um quase ser vivo, com alguma autonomia, que se alimenta parasitariamente do esforço produtivo dos incorruptíveis ou dos incapazes, por vontade própria ou por manifesta falta de competência e/ou de meios, para corromper.
Patologicamente, e isso torna-a mais difícil de combater, propaga-se e desenvolve-se como um vírus, sem metabolismo próprio, logo sem antibióticos eficazes para a sua eliminação depois de instalado no organismo.
A corrupção combate-se, sobretudo, com profilaxia, com acções preventivas, evitando-se ou obrigando-se a evitar os comportamentos de risco.
Ora, esse comportamento de prevenção passa, em primeiro lugar, por uma mudança na estrutura da mentalidade de um povo que, por definição, é dificilmente alterável nos curto e médio prazos, senão mesmo inamovível.
A mentalidade só se altera com um bom sistema de educação, orientado para o civismo, para a civilidade e para o respeito mútuo; para a liberdade individual circunstanciada pela liberdade colectiva; pelos sentimentos de paz e de harmonia induzidos por comportamentos de solidariedade e de coesão social. Esse vírus e a capacidade mutante das suas subespécies só se extinguirão quando se der a interiorização plena daqueles valores como verdades inabaláveis, não conflituantes com a percepção individual da realidade que, decerto, conduziria à infelicidade e finalmente ao incumprimento.
O facilitismo, a indolência, o peso do Estado e a prostração facilitam a sua propagação: não se pede, por exemplo, uma factura pela compra de um produto ou pela aquisição de um serviço; não se controla o desperdício; não se monitoriza a actuação de um dirigente; atribui-se a determinada classe – clique social – um poder discricionário e insusceptível de escrutínio pela generalidade da sociedade; etc.
Em suma, os males estão identificados, a terapêutica já se conhece, há apenas manifesta falta de vontade, por dolo ou por negligência (ausência de posição), no combate ao flagelo.

Pelo supramencionado, fiquei deveras satisfeito com a nomeação da certamente incorruptível – que já deu provas disso mesmo – Maria José Morgado para exercer as funções de coordenadora dos processos relativos ao caso «Apito Dourado» e com o efeito de contágio que daí poderá advir para o todo – este país de corruptos impunes.

Para terminar transcrevo o delicioso “Decálogo do Corrupto: Princípios ideológicos do Saco Azul” elaborado por Maria José Morgado:

«I. Nunca te esquecerás de que a ética kantiana é uma teoria impraticável e que são o poder e a ambição que ditam todas as acções dos homens.
II. Terás sempre em atenção que deves usar o teu poder para servir os que ainda estão acima de ti e para seres indispensável aos que estão abaixo de ti.
III. Jamais terás dúvidas de que o dinheiro que geras para ti e para os teus é o melhor atalho para consolidar e aumentar o teu poder.
IV. Realizarás todos os teus actos na sombra, em silêncio, sem provas, sem testemunhas, longe de documentos e especialmente ao largo de telemóveis.
V. Procurarás nunca desapontar os teus amos e nunca renegar os teus cúmplices, especialmente se estes forem família, ou tiverem tido acesso a tua intimidade.
VI. Estarás sempre vigilante em relação aos que te invejam e aos que, por formalismos legais ou por suspeita, querem fiscalizar as tuas acções. Encontrarás meios para os desacreditar ou, em último caso, os eliminar.
VII. Construirás diariamente uma teia, com fios feitos por líderes que graças a ti treparão mais alto, por funcionários que de ti tirarão benefícios, por empresas que através de ti chegarão ao lucro, e por novas entidades que deixarás os teus liderarem.
VIII. Deverás estar atento a todas as oportunidades de mercado, sabendo que elas são infinitas, e estudarás especialmente as novas formas de negócios, ou seja, o modo de as usares a teu favor.
IX. Serás cirúrgico e asséptico no modo de contornar as leis, os regulamentos e os códigos, e atrairás a ti os melhores especialistas para te ajudarem a camuflar e a fazerem desaparecer todos os traços das tuas actividades.
X. No caso extremamente improvável de seres apanhado, gritarás inocência até ao fim, marcarás conferências de imprensa para proclamar o teu horror e quando te confrontares com a tua consciência, dirás a ti próprio que fizeste tudo para bem do povo e dos seus representantes.» (pág. 59)

Referência bibliográfica:
Maria José Morgado e José Vegar, O inimigo sem rosto: fraude e corrupção em Portugal. Lisboa: Dom Quixote, 2.ª edição, Novembro de 2003, 151 pp.

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

On putting the guitar in the bag

Por agora, política e tiranos… acta est fabula!

O título deste texto recorda-me uma amiga que, havendo travado conhecimento com um adepto inglês do Manchester United e dada a insistência do britânico numa asserção que teimosamente considerava verdadeira (na óptica da minha amiga), ela por fim cedeu à argumentação de Mr. Man Utd e retorqui no seu melhor inglês: «O.K., take the bicycle!»

Regresso aos livros e, presumivelmente hoje, acabarei a leitura sôfrega do último livro do José Luís Peixoto, Cemitério de Pianos, que me está a dar um prazer incomensurável.

(Depois de haver acrescentado um ponto à minha teoria pós-Salgado: hipótese nula: de aqui em diante na dúvida prejudica-se o putativo beneficiário da exuberante flatulência e das perseguições sexuais lupinas a meninas de gorro escarlate – 2 penáltis 2 e 1 expulsão 1.)

Não contando com “as verdades quase verdadeiras” no JL, desconhecia os textos de fundo de José Luís Peixoto. O romance supramencionado é a primeira obra de ficção de sua autoria por que passei os meus olhos. Antes dos comentários globais – que guardarei (talvez) para o final desta semana – só me resta dizer:

Saramago e Lobo Antunes, têm seguidor e pelo fôlego que leva alcançará um lugar bem mais alto no firmamento dos ídolos literários de terras lusas.

Tenho dito.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

Capas

Quando era um jovenzinho, em plena fase de ebulição hormonal, costumava comprar jornais desportivos, por tradição – vá-se lá saber porquê! – optava quase sempre pelo jornal O Jogo. No entanto, essa condição de fiel leitor/comprador do periódico agora detido pela Sportinveste alterava-se de súbito no dia seguinte a uma retumbante vitória, normalmente europeia, do meu FCP. Dava-me um gozo especial ler os editoriais de rendição, de sobremaneira elogiosos, dos exuberantemente isentos Cartaxana, Serpa, Marcelino, J. M. Freitas e quejandos. Até ao dia em que me fartei dessa regularidade, à laia de receituário, de 6/7 de vitupério e 1/7 de panegírico, não só por constatação empírica própria, mas também por aquiescência do insistente conselho paternal que teimava em não seguir.
Naqueles tempos, dizia o meu pai: “não percebes a estratégia desses gajos?” E acrescentava: “só me espanta a quantidade apreciável de portistas que lorpamente cai nesse engodo encomiástico do dia seguinte à vitória. Não percebem que, nessa situação, a maledicência se reveste de uma impossibilidade e se traveste de elogio desproporcionado!?”
Esse douto tirocínio revelou-se, uma vez mais, correcto, demonstrado cabalmente pela diferença abissal entre as primeiras páginas de ontem e de hoje do pasquim desportivo propriedade do grupo Cofina, cujo nome até me enjoa pronunciar.

Vejam-se a este propósito os textos de
Francisco José Viegas (em A Origem das Espécies), do Tiago Barbosa Ribeiro (no Kontatempos) e do Bruno Sena Martins (no Avatares de Um Desejo).