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quinta-feira, 28 de junho de 2012

Um Trio

Poucas palavras e longe da semântica concupiscente do linguajar da contemporânea concepção metro que o título poderia encerrar, eis a minha escolha ternária (expressa na imagem, tendo presente que, as anteriores e as poucas que se lhe seguem, foram mesmo as únicas palavras escritas neste blogue sobre o evento findo):

Nota: A Estrela não foi incluída, não por pressão de um apriorismo (que o há), mas sobretudo pela espantosa versatilidade fonética que lhe permite enunciar, urbi et orbi, a palavra “olusedade”.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Sem (muitas) mais palavras


Já vencemos, já vencemos,
Vencemos outra vez.
O Porto ganhou a taça,
Como em 2003.
(cântico modificado nos seus tempos verbais dada a concretização) 


PPS – A constatação pela sintonia perfeita (futura) entre a choraminguice final, (devido a um cartão que, aventou, ficou por mostrar ao filho dos Cárpatos ao 75 minutos, palavras insanas proferidas, demonstrando uma soberba inusitada, que decerto se traduziria num golo marcado) e o clube que representará e que dela vai fazendo hino todos estes anos de deserto.

PPPS – Aos 30 minutos de jogo o nosso super-herói da Marvel (verde quando se enfurece), só se manteve em campo porque a ligação da alcunha à sua compleição física não é apenas um acaso. Um tal Sílvio, que no final do jogo se apressou a dizer que se irá acostar nos alvo-e-rubros colchoneros na próxima temporada, deveria ter jogado menos 60 minutos no verde de Dublin. A choraminguice esqueceu-se desse pormenor. Paciência!

domingo, 10 de outubro de 2010

O Homem a Abater

Prometi a mim mesmo que dificilmente falaria aqui neste “novo” espaço – novo de Abril de 2008, pós Porque e In Absentia (textos integrados neste) – de futebol, por tudo o que isso implica: a irracionalidade de uma paixão desenfreada que embota os sentidos e hostiliza os amigos; que induz o homem mais pacífico a assumir, por palavras e actos, posições e comportamentos ignóbeis, mesquinhos, perversos e até criminosos; em suma, uma mescla de Mary Shelley e Anne Rice a criar monstros trogloditas, vampíricos, todos os dias. E não exagero. Atentem nos meios de comunicação social e nos blogues ditos de referência. É o vale tudo na arena sanguinária da opinião na imprensa engajada com as centrais de comunicação e com a inexpugnável clubite de jornalistas que, num país sério, há muito deveriam ter perdido a sua carteira profissional; é a selvajaria nos blogues, mesmo naqueles que se afirmaram pelo debate de ideias e sobre outros assuntos, nunca se dedicando em exclusivo ao fenómeno desportivo, cujos textos clubistas transformam, do dia para a noite, os outrora admiráveis livres-pensadores em facínoras de palavra acutilante em riste, pronta a decepar os mais incautos e de pensamento livre.
Nas vésperas do centenário da Implantação da República em Portugal, André Villas-Boas – a 13 dias de completar 33 anos – passou a ser mais um dos alvos em movimento. Os jornalistas arregimentados, os opinadores pagos à peça, os bloggers facciosos, os paineleiros da insídia e da inveja, não tardaram a sair do armário com todo a sua fúria, contida ao longo de seis longas jornadas futebolísticas e de onze jogos de invencibilidade. O veneno, esse, ia-se-lhes acumulando lenta e perigosamente nas glândulas pestilentas e a oportunidade surgiu com o justo desvario do rapaz na noite de 4 de Outubro – desatinos, sem consequências, que os treinadores e os directores desportivos das agremiações protegidas neste mundo desigual descerram, terminadas as inúmeras partidas, no centro do relvado acompanhando os árbitros, decerto com elogios e panegíricos entusiastas, até à boca do túnel. E a destilação do ódio não acalmou mesmo tendo o jovem treinador vindo a terreiro desculpar-se pela injustiça das suas críticas relativamente ao lance que o atirou de antecipação para os balneários pela primeira vez na sua curtíssima carreira – apesar do golo irregular do oponente, dos fora-de-jogo mal assinalados, da violência quase criminosa dos jogadores oponentes (ah, e aquele imberbe facínora, ao arrepio da prática comum aos seus companheiros de profissão em equipas adversárias noutros jogos, não falou da eventual grande penalidade cometida na grande área portista).
Porém, o xistrema já estava montado, com toda a sua carga, folclore e ressentimento provinciano, balofo, saloio (ou como o quiserem qualificar), e a retirada perante o mea culpa do jovem inimigo seria mais dispendiosa que continuar a alimentar a fogueira do rancor, da caricatura soez e do incitamento à violência. A pesada máquina estava em estado de prontidão e iniciou-se a rentabilização do investimento inicial que só alcançará, pelo menos, um valor actual líquido (npv para os anglófilos das finanças empresariais) de zero em Maio de 2011, se o verde-lagarto ou o vermelho-lampião-ofuscado circular de bandeiras desfraldadas, com uma turba a cuspinhar impropérios perante as sedentas câmaras de televisão da capital do império.
Mas há coisas que os supra-referidos não conseguem controlar, como o fazem nos Ministérios da Justiça e da Administração Interna, com o PGR e os procuradores-adjuntos, com a imprensa, com as marionetas adestradas dos horrorosos e estupidificantes programas de debate futebolístico nas televisões e numa estação de rádio pública, no Elefante Branco e casas congéneres, com os órgãos da Liga e da FPF (então com o futuro presidente Seara…):
Parabéns, homónimo.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Rotten Apple

O homem de cabelo branco e o Sr. Francisco Costa – como hoje nos foi apresentado – acabaram de vender uma maçã podre por onze milhões de euros, a que acresce uma promissora maçã, porém ainda verde, humanizada em Coelho.
Mas até no podre se descobrem novas virtudes, para além do rico húmus que mata de imediato a fome da terra estéril, é de cautela guardar-se uma boa talhada da rejeitada maçã (25%), por muito deplorável que seja o seu pútrido estado; não vá o tempo e a humidade nortenha transformar em pomar o que se rejeitou por bichado.
Assim se vão calando as vozes da possível sedição, ficando Francisco Costa a enxertar o jovem bacelo com homens de boa casta, para que a podridão não se alastre (é esta a futura Blimunda leonina, de cenho franzido, jejuando pela manhã, apanhando o bicho antes que roa a maçã, assim lhe tragam o pão ao fim da matina) e o do cabelo branco, que no vai e vem do imaculado e compassivo mundo da banca, vai carregando o alforge repleto de virtudes para afastar a corrupção das almas, repetindo sempre que necessário uma nova histrionia: Johnny Rotten, never (after all, he is an antichrist), tal como outro, nome de santo e de Papa, era forever.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

O Capitão Metro

Uma fábula do n.º 7, o não-whitmaniano Capitão, Meu Capitão (a jornada assustadora prossegue): «Perguntem ao Carlos Queiroz.»
«Vivo no 11.º andar do edifício American Gardens na West 81st Street. Chamo-me Patrick Bateman e tenho 27 anos. Eu creio no cuidar de nós próprios com uma dieta equilibrada e um rigoroso programa de exercícios. De manhã, se a minha cara está um pouco inchada, aponho-lhe um saco de gelo enquanto faço abdominais – agora, já chego aos mil. Depois de retirar o saco de gelo, uso uma loção forte de limpeza dos poros. No duche, uso um gel refrescante de limpeza. De seguida utilizo uma escova com creme de mel e amêndoas e na cara esfrego um gel esfoliante. Depois aplico uma máscara de ervas e menta, que deixo na cara durante dez minutos enquanto preparo o resto da minha rotina. Uso sempre uma loção aftershave com o mínimo ou mesmo sem álcool, porque este seca-nos a pele do rosto e faz-nos parecer mais velhos. Depois vem o hidratante e de seguida aplico o bálsamo anti-rugas para os olhos, a que se segue a loção protectora hidratante final. Existe uma ideia de um Patrick Bateman, um género de abstracção, mas na realidade não existe um eu; é apenas uma entidade, algo de ilusório. E embora consiga esconder o meu olhar frio e até me consigam dar um aperto de mão e sentir a minha carne a envolver firmemente a sua carne, e até sentir que os nossos estilos de vida são provavelmente comparáveis; eu, simplesmente, não estou lá.»
Do argumento do filme Psicopata Americano (American Psycho, 2000), adaptado ao cinema por Mary Harron e baseado no romance homónimo, publicado em 1991, de autoria do escritor californiano Bret Easton Ellis.
Trabalhar? Com toda esta beleza e preparos, com ecrãs gigantes que me procuram e fixam, em que atesto as formas etéreas do meu rosto, senão do corpo inteiro, a cada cinco segundos!? Gritos histéricos de mulherio (e não só, valha-nos a sorte da lucrativa ambiguidade!) esfaimado… Trabalhar, unir esforços, respeitar hierarquias, lutar por um ideal. Assumir as funções de Capitão, que não passam apenas por ostentar aquela liga que nos aperta o braço, o mais fino adorno futebolístico que nos permitem usar em campo – deveria ser cravado de diamantes, tal como os círculos que enfeitam as minhas frágeis orelhas no pós-desafio. Porém, uma marca não faz isso, quando muito é multinacional, global na sua abstracção. Eu não existo. 
¡Hala Madrid!... y, pues que, con “El Especial” y los euros.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Rui Flaubert Santos

Fui alertado, enfim, para um momento televisivo único, na óptica dos interesses do Rui Santos, designadamente, o Rui Santos citou Gustave Flaubert a propósito das recentes vitórias de José Mourinho. O acontecimento desportivo do ano em Portugal foi forjado em directo na bigorna da erudição, para a meia dúzia de pessoas (não contando com o Barbas, o Diabo de Gaia, o Advogado Incendiário e o Lampião de Canelas, estes últimos vulgarmente conhecidos por Pragal Colaço e Ricardo Costa, respectivamente) que ainda aguenta assistir a 23 segundos consecutivos daquele programa que vai para o ar na Benfica TV2… perdão, na SIC-Notícias todos os domingos à noite. O assunto, que decerto proveio de uma inspiração oracular, era o tal treinador bicampeão por um clube português – presidido por essa pessoa desprezível e monstruosa, chamada de Pinto da Costa –, vencedor do campeonato e da Liga dos Campeões logo, contra a óptica dos interesses dos invejosos, no ano da “fruta” e do “café com leite”, 2004 – ainda houve tempo, enfim, na óptica dos interesses da hermenêutica comportamental, designadamente de classificar de folclóricas (!?) as vitórias de Mourinho no FC Porto. Aquela, enfim, cabeça...
Na óptica dos interesses de Flaubert, eu estaria designadamente preocupado, porque, “ai, ai, ai” (1.ª andamento, adágio), “ai, ai, ai” (2.º andamento, andante con grazia ed intimissimo), “ai, ai, ai” (3.º andamento, vivace giocoso), o paradigma da verdade literária eclipsou-se na óptica dos interesses da verdade, ela mesma, para o paradigma da “verdade desportiva”, aquilo que, na óptica dos meus interesses (os dele), apelido de verdade encarnada ou, nomeadamente, enfim, entunelada.
Mais grave ainda, o enfarpelado da brilhantina do comentário desportivo nacional, cita-se a ele próprio para citar o eminente escritor francês oitocentista. Ou seja, na óptica dos interesses do ego, dele próprio, escreveu um livro (o que por si só já é de levar às lágrimas pelo choque – ele escreve! Na óptica dos interesses de John Carpenter quando realizou em 1988, nomeadamente, enfim, Eles Vivem) que contém uma citação, designada, nomeada e efectivamente do autor natural de Rouen retirada de… o Citador. Senão, experimentem perguntar-lhe de que obra, opúsculo, panfleto, ou até de que pedaço de papel higiénico manuscrito, retirou ele (o Rui na óptica dos interesses dos Santos) a seguinte frase, de uma originalidade inigualável (pelo menos a costureira Alice de Caneças, a tal Lili, recita-as de sua lavra):

«Para se ter talento é necessário estarmos convencidos de que o temos.»

O que no caso do citador em segunda mão em apreço, não é, designada e manifestamente, suficiente, na óptica dos seus interesses, por muito incomensurável que, enfim, fosse o seu convencimento.
Ver aqui, na óptica dos vossos interesses: os 90 minutos completos (sacrificai-vos, designadamente, ó vítimas da fome), ou, enfim, designadamente ligar-se ao minuto 6 mais 15 segundos (nota de tristeza: termina, enfim, aos 6 minutos e 38 segundos).
E logo hoje, que se comemoram os 6 anos dos feitos heróicos que culminaram no Estado da Renânia do Norte-Vestfália, em Gelsenkirchen.
Nota: este artigo foi elaborado, enfim, na óptica dos interesses do novo acordo ortográfico-gramatical rui-santês (em vigor por decreto balsemónico todos os domingos das 23 às 24 horas, designadamente no canal 5 da TV Cabo).

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

4 meses, 23 jogos e o 25 de Abril


Há uns tempos prometi a mim mesmo que não voltaria a escrever aqui sobre futebol, porquanto, na maioria das vezes, a paixão na análise dos factos tolda alguma racionalidade asseguradora de um mínimo de imparcialidade. Rompi a promessa, porém não me penitencio. Mesmo que ninguém leia os textos que para aqui – e cada vez mais espaçadamente – vou publicando, senti que deveria exteriorizar a minha raiva, que se contida provocaria maiores danos, perante a actual VERGONHA camuflada de regulamentos espúrios.
O contador que permaneceu neste blogue até sexta-feira passada – o dia da decisão – assinalava 61 dias de suspensão preventiva de dois jogadores do meu clube, que impediu a participação dos mesmos em 12 jogos para competições oficiais de futebol.
Hoje, sabe-se que para o mais destacado da dupla de castigados – Hulk – serão 23 os jogos em que aquele predestinado – quiçá por artes mágicas ou por um sopro olímpico à nascença – foi arredado dos relvados por um “Pavão” de Canelas, Gaia – conhecido pela sua cor clubística rubra, imprimida pelo pai desde os tempos de meninice –, estribado cegamente em regulamentos que, pasme-se, considerou injustos. Todavia, Costa como principal zelador do seu cumprimento nunca tomou a iniciativa formal para propor a sua alteração. Ficam-lhe mal as lágrimas de crocodilo, o excesso de linguagem que procurou exalar a imagem de um homem agrilhoado à lei disciplinar, esquecendo-se que, com esse comportamento, cometeu o erro de praticar um acto conscientemente imoral, derrogando a génese e o sustentáculo de qualquer forma de Direito, o sentimento de justiça, transversal ao comportamento humano. Em suma, permitiu-se a ratificar o “mal” deixando-se vencer por uma lei sem moral.
Curiosamente, quis o destino que a 25 de Abril de 2010, Givanildo Vieira de Souza regresse do seu degredo, 36 anos depois do dia em que a liberdade voltou às ruas deste país de misérias.
Com estas palavras, termino o assunto, e em definitivo, não me coibindo de deixar mais outras que, pela insuspeita clubite, deveriam ser motivo de reflexão:
«Deixo a minha opinião sobre os castigos de Hulk e Sapunaru já no início do texto: são desproporcionados.
Os actos dos dois futebolistas não mereciam semelhante pena, que considero de uma violência sem sentido. Se pensarmos que os jogadores têm, em média, dez anos de carreira ao melhor nível, este castigo significa, por exemplo, que o lateral romeno acabou de perder 5 por cento da sua vida desportiva. É brutal.
Arrumada a minha opinião sobre a dimensão do castigo, sobram três perguntas: o processo foi bem conduzido, o desfecho podia ter sido diferente, os regulamentos disciplinares do futebol português são bons?
1. Depois de ouvidas as explicações de Ricardo Costa fiquei convencido de que o processo foi bem conduzido. Respeitou os prazos, fez o que tinha a fazer. No entanto, o final foi desastroso. A conferência de imprensa na sede da Liga é desajustada e constituiu um triste e lamentável espectáculo. Se pretendia ser claro, Ricardo Costa deveria ter-se limitado a colocar online um acórdão contido, correcto e claro. O dia em que jogadores são condenados a castigos tão pesados não pode ser promovido a espectáculo televisivo. Muito menos por pessoas com responsabilidades disciplinares e na sede do organismo que representa os clubes.
2. Acho que a Comissão Disciplinar valorizou muito pouco duas questões fundamentais: o comportamento dos stewards indicados pelo Benfica e o facto de os jogadores estarem sujeitos a uma pressão que resultava de terem terminado um jogo de futebol intenso minutos antes. Ou seja, os stewards não deviam simplesmente estar naquele sítio, quanto mais optar por um comportamento que a CD considerou «provocatório». Faltou à Comissão Disciplinar algo essencial a quem aplica regulamentos: bom senso. Os clubes mal intencionados ficaram a saber que sai muito barato provocar os jogadores adversários nos túneis. Com 1500 euros pode conseguir-se provocar um sério dano na concorrência.
3. A resposta à terceira pergunta é fácil. É evidente que os regulamentos são maus. Mas antes de serem maus, são demasiados. Os regulamentos devem garantir que todos podem defender-se, mas, em simultâneo, permitir a aplicação da justiça em tempo útil. Porque, como se viu, o tempo de quem julga é bem diferente do tempo de quem joga. Aqui, mais uma vez, a Comissão Disciplinar da Liga esteve mal. Os anos que leva no futebol são mais do que suficientes para lhe exigir que tivesse conseguido uma acção activa na alteração dos regulamentos. É fraca desculpa alegar, nos momentos mais delicados, que a culpa é das leis, que são más. Sobretudo quando no resto do tempo se assobia para o lado.
O facto de discordar do desfecho deste caso não me leva a dar o passo seguinte: colocar em causa a honra e o equilíbrio de quem integra a Comissão Disciplinar. Reconheço na acção de Ricardo Costa rigor, trabalho e esforço honesto na alteração das práticas anteriores. E todos sabemos como funcionava a CD antes da direcção de Hermínio Loureiro.
Dito isto, era tempo de os clubes, sobretudo os maiores, contribuírem para a elevação do futebol em Portugal. E isso faz-se nos momentos complicados, como este. O F.C. Porto tem todo o direito de recorrer, mas perde respeito quando o faz utilizando linguagem imprópria.
P.S.: Só mais um ponto: face à dimensão do castigo aplicado a um jogador tão importante como Hulk, é evidente que a Comissão Disciplinar poderá sempre ser acusada de ter contribuído para decidir o campeão em 2009/10.»
Luís Sobral, in MaisFutebol, “Castigos a Hulk e Sapunaru: obviamente são excessivos”, 20 de Fevereiro de 2010. [destaques meus]

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Uma história de violência… perdão, de 65 milhões

[via Reflexão Portista; perfilados na imagem, com os cargos que ocupavam na altura, (04/Março/2002, na campanha eleitoral do PSD para as Legislativas de 17 de Março, no denominado “jantar-comício do desporto”) da esquerda para a direita, temos: Fernando Seara (presidente da Câmara de Sintra); Luís Filipe Vieira (director de futebol do Benfica e grande higienista paliteiro pós-repasto – uma adivinha: em que comício se apresentou o homem do palito nas Autárquicas de Outubro de 2009? E contra quem?) Pedro Santana Lopes (presidente da Câmara de Lisboa); António Rola (ex-árbitro, funcionário do Benfica, de pé); e Manuel Vilarinho (presidente do Benfica, que no calor da festividade se estatelou ao comprido ao tentar chutar uma bola – homem que nos habitou mal (porque agora resta o vazio) a uma regularidade de momentos de diversão, por exemplo, sete anos volvidos foi protagonista desta excelente intervenção em directo para a RTP, e ainda eram 9 da manhã…)]
Recomendação: Antes da leitura da notícia completa do JN, convém dar um pequeno destaque sobre um novo conceito, a “im(p)unidade vermelho-desportiva” (de facto, como diz o pobre cântico, ninguém os pára):

«A outra parcela dos 18 milhões resulta do compromisso da Câmara de pagar, através da EPUL, os ramais de ligações às infra-estruturas de subsolo para o estádio. Isto valeu ao Benfica oito milhões de euros, sendo que 80% das facturas que cobrou à EPUL respeitavam a serviços de consultoria: só 20% tinham a ver com os ramais. De resto, parte das facturas tinha data anterior ao contrato-programa (…)
Nenhuma irregularidade detectada nas facturas do Benfica foi valorizada, para efeitos de responsabilização criminal dos dirigentes do clube.»
in Jornal de Notícias, 28/Janeiro/2009.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Para que conste (uma terapia)

Uma das formas que tenho vindo a aplicar para enfrentar a minha mente sobrepujada com assuntos de ordem vária que me perturbam, por outras palavras, um método para tentar reduzir ao mínimo os reveses, sentidos como tal, qualquer que seja a sua origem, consiste na sua exteriorização – inter alia, um desabafo em tom de grito de revolta audível em praça pública, uns murros num saco de boxe, umas buzinadelas auxiliadas por gestos fálicos e impropérios enquanto embarrilado no trânsito infernal desta cidade – através, não de uma escrita rebarbativa no blogue, mas de textos que se reduzam a uma simbologia aglutinadora das falsidades e iniquidades que pululam à frente dos meus olhos e que, cada vez que digito o seu endereço, consiga apaziguar a minha sentida frustração de, pela minha insignificância, não poder desencadear uma guerra de paus e pedras contra esses viciosos do poder (político, jurídico e mediático).
Por tudo o que atrás expus, e para não falar com toda a carga da violência que em mim se vem armazenando sobre um dos assuntos que me apoquenta de momento, figurará na coluna do lado direito deste blogue um singelo contador, devidamente emoldurado, como válvula de escape. Sem adjectivos para certificar a qualidade de: A Bola, o Record, o Correio da Manhã, o Rui Santos, os moderadores e comentadores desportivos da SIC, e muito menos a turba de opinadores escolhida a dedo, cujo ódio visceral ao meu clube é o principal propulsor para os seus panfletos viscosos (pronto, adjectivei), onde pontificam o Daniel Oliveira e os bobos do regime (2.ª adjectivação, paro por aqui, prometo) Quintela e Góis (que há muito deveriam ter levado com processos-crime por injúrias, calúnias e difamação ao meu clube), e até por insultos (não gratuitos, pagos e bem pagos com o dinheiro do Bava e da Golden Share) às inteligência e paciência de todos nós portugueses, por nos entrarem pela casa dentro, sem pedir licença, a proferir barbaridades como “o pinheiro manso de Natal” (é bravo, porra!) e o Rei Mago “Belchior” (é Melchior, ó ignaros!).
Bom, e agora, somando às irritações janeireiras a candidatura de Manuel Alegre a Presidente da República (nunca o espectro da emigração sem retorno andou tão perto por estas bandas), terei de encontrar outro lenitivo em Java. Mais tarde, se por cá andar, explicarei as minhas razões para tamanha repugnância pelo personagem, que, à laia de um Gil Vicente, encarna bem num estereótipo que uma vez tive de enfrentar com todas as forças pelo grau de ambiguidade posicional – chamar-lhe-ia, pela imagética e não só, “Colosso de Rodes”.
Fim.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

O “Zé do Boné”: 25 Anos



Era ainda muito novo… mas, até ao último fôlego do meu ser, ninguém me poderá roubar a imagem do fim do jejum de 19 anos e da alegria esfusiante de milhares de portistas nas ruas da cidade terminado o desafio da última jornada com o Braga (4-0), que culminou, na época seguinte, com o inesquecível jogo com o Barreirense (4-1), numa tarde tórrida de um domingo de fim de Primavera no desaparecido Estádio da Antas, onde, com apenas 6 anos, assisti da arquibancada, na companhia da minha família (pais, avós, tios e primos direitos) e de diversos casais amigos de meus pais, à conquista do bicampeonato: 1977/78 e 1978/79 (que, segundo rezam as crónicas, um tal de Manaca não deixou que fosse “tri”).
Na alegria e na tristeza… com apenas 12 anos, numa tarde fria e cinzenta de Janeiro, postei-me no passeio da praça Teixeira de Pascoaes e assisti ao cortejo fúnebre que partiu da Igreja de Santo António das Antas (local onde fui baptizado, junto ao antigo Estádio) e que por mim passou, num silêncio carregado produzido por dezenas de milhares de pessoas cuja atmosfera jamais esquecerei. Uma torrente de pesar provinda da rua de S. Crispim descia a Carlos Malheiro Dias, encetando a subida pela Constituição até ao Marquês, e que se dirigia ao cemitério de Agramonte na Boavista (a cerca de 5 quilómetros do ponto de partida). Já o carro que transportava o eterno “Zé do Boné” desaparecia no horizonte sob os plátanos do Marquês e a multidão que o seguia a pé parecia inextinguível, ainda não havia cessado em S. Crispim. Uma massa compacta de cabeças parecia formar um rio pardacento que, de forma lúgubre, inundara a Constituição. Uma imagem angustiante pela causa que a motivou, porém memorável pela homenagem sentida que milhares de pessoas vindas de todo o país quiseram prestar ao “Mestre” prematuramente desaparecido: o tal que, em democracia, mudou para sempre o rumo do futebol português e a dimensão do meu clube do coração, o Futebol Clube do Porto.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

24

FC Porto: Tetracampeão 2008/2009

Dúvida? Não. Mas, luz, realidade
e sonho que, na luta, amadurece.
- O de tornar maior esta cidade.
Eis o desejo que traduz a prece.

Só quem não sente o ardor da juventude
poderá vê-la, de olhos descuidados.
Porto - palavra exacta. Nunca ilude.
Renasce, nela, a ala dos namorados!

Deram tudo por nós estes atletas.
Seu trajo tem a cor das próprias veias
e a brancura das asas dos poetas…
Ó fé de que andam nossas almas cheias!

Não há derrotas quando é firme o passo.
Ninguém fale em perder! Ninguém recua…
E a mocidade invicta em cada abraço
a si mais nos estreita. A pátria é sua.

E, de hora a hora, cresce o baluarte!
Lembro a torre dos Clérigos, às vezes…
Um anjo dá sinal quando ele parte…
São sempre heróis! São sempre portugueses!

E, azul e branca, essa bandeira avança…
Azul, branca, indomável, imortal.
Como não pôr no Porto uma esperança
se “daqui houve nome Portugal”?

Pedro Homem de Mello, “Aleluia!”


(Nota: esta interrupção não significa a revogação da suspensão de actividade, com limite temporal indefinido, deste blogue.)

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Insisto [actualizado]

Para o João Tordo* e o meu amigo Pedro Correia, "Estranha Forma de Solidariedade", (talvez te saia em sorte o Pedro Henriques no já muito próximo derby lisboeta, ou estás esquecido da boa arbitragem do Sr. Major contra o teu clube, na vizinhança da escandaleira do Duarte Gomes na Reboleira que eliminou o Estrela da Taça da Liga no descontos?), deixo ficar este vídeo para re-baptismo de assuntos futebolísticos neste blogue, depois de uma promessa que fiz há uns tempos (apenas e só falar do meu clube e da sua gestão):

(ver vídeo no YouTube)

*Um bom argumento para que, desta vez, se produza um bom filme, seria o EstorilGate de 2004/2005. O maior escândalo que, com os meus já respeitáveis 36 anos, pude assistir no futebol português.

Nota: Em faltas para grande penalidade não se aplica a "lei da vantagem". Proença errou, mas disso não convém falar. O resultado estava 0-0 e o Reyes trava a progressão do Lucho.
Essa visão monocular clubítica irrita-me profundamente.


(ver vídeo no YouTube)

(ver vídeo no YouTube)

[adenda, dia 10/Fev, às 12h06m]: (C.E.) Proença condensado e verificado, em lides comentadeiras – eu, ainda não havia visto as imagens dos casos do jogo, à excepção do pretenso penalty do Lisandro repetido até à náusea pelo Rui Santos no "Hora Extra" – no programa “O Dia Seguinte” na SIC-Notícias, e assumo agora a função de contra-queixinhas (4 incidências de relevo, 1 erro técnico e 3 de avaliação):

  • 19 min. – Lucho é travado por Reyes dentro da grande área do Benfica, cai e continua o lance, com passe para Fucile que, à entrada da área, remata por cima da baliza. Nem que Fucile houvesse marcado golo, a falta de Reyes sobre Lucho teria de ser marcada, porque dentro da área jamais se aplica a “lei da vantagem”. Segundo os regulamentos, uma falta na grande área cometida sobre um jogador da equipa que ataca é penalty. Erro técnico grave e não de avaliação subjectiva – resultado na altura 0-0;
  • 28 min. – Sidnei, considerado como herói na imprensa desportiva de hoje, pisa ostensivamente Lucho (a bola há muito que lá não estava), deitando o jogador portista por terra (o tal que com fair-play, nove minutos antes não se atirou para o chão na grande área). Cartão vermelho e consequente expulsão (erro de avaliação) – o Benfica passaria a jogar com apenas 10 jogadores durante mais de 1 hora de jogo – resultado na altura 0-0;
  • 79 min. – Por compensação, por ter visto mal o lance, por dolo ou pela re-admissão do Cardeal Nazi no seio da Igreja Católica pelo Papa Ratzinger, Proença assinalou mal o penalty (erro de avaliação) pretensamente cometido por Yebda sobre Lisandro López – convém salientar que todos os jornalistas, comentadores e narradores do jogo (rádios e televisão) afirmaram, sem repetições e no momento exacto do lance, que Yebda havia cometido penalty – o resultado na altura era de 0-1, que passou a 1-1 pela conversão da grande penalidade;
  • 94 min. – David Luiz, sem bola, atinge com os pitões da sua bota as pernas de Fucile e com o cotovelo atinge-o no pescoço, não só ficou por mostrar o cartão vermelho ao jogador benfiquista, como Proença interpretou a falta ao contrário e exibiu o cartão amarelo ao jogador portista (que por acumulação não jogará no próximo jogo), engendrou um livre directo perigoso e inexistente junto da área portista (erros de avaliação), convertido por Carlos Martins e defendido com extrema dificuldade por Helton, dadas a potência e a colocação do remate – fim do jogo, 1-1 resultado final.
    (Q.E.D.)

domingo, 26 de outubro de 2008

De derrota em derrota

Ibson e Leandro Lima
Há argumentos para o descalabro: deixámos fugir Paulo Assunção pela cupidez de mais uns trocos (explicação: não queremos gananciosos no nosso plantel); Bosingwa foi para o Chelsea (explicação: não poderíamos cortar as pernas ao melhor lateral direito do mundo; entretanto entraram mais 24 milhões, para onde?) Quaresma portou-se mal e pressionou para a saída, fechámo-lo a sete chaves para que o cigano aprendesse, depois baixámos as calças fazendo substituir, por um arabesco retórico, os 40 milhões exigidos por 18 milhões e… o Pelé, nome de craque (explicação: quem está mal muda-se e até veio um Assunção rejuvenescido... acabou-se o desatino da contratação de todos os defesas esquerdos do mercado, agora temos trincos; a casa está protegida, depois do assalto às claras, trincos à porta).
Ao comando mantemos Jesualdo Ferreira (com a saída de Carlos Azenha, fomos buscar José Gomes; ficou a dupla que, há alguns anos, tão bom resultados deu ao Benfica…)
Com Jesualdo somos bicampeões (para o “tri” teríamos de acrescentar o casmurro e incómodo Adriaanse). Perdemos duas Taças de Portugal e duas Supertaças frente ao Sporting, mas vamos vencendo o Benfica…
Nos últimos dois anos, contratámos um grupo inteiro de uma escola de tango: Benítez, Mariano, Bolatti, Tomás Costa, Farías, que se juntam à dupla de contrariados e insatisfeitos, com o seus gordos vencimentos, Lucho e Licha. Fomos à Colômbia buscar o afamado Guarín, depois do desastre Rentería (de quem espero que, em partenariado com o Alan, fique por muitos e bons anos na cidade dos arcebispos). Roubámos o Rodríguez ao Benfica. Pedimos à Marvel o Hulk. Eclipsámos aquele de quem se dizia ser o melhor defesa central do futuro, Stepanov. Deixámos o desgraçado do Raul Meireles sozinho a meio-campo, a percorrer o terreno todo sob o peso das tatuagens.
Mas temos Jesualdo e o seu idiossincrático e hidiano simpático/abespinhado na presença de jornalistas e de adeptos insatisfeitos.
E repito-me, já foram as taças e as supertaças, e a honra e a glória com o Nacional em casa, com o Chelsea, Liverpool e o Arsenal fora… e, ontem, o Leixões… «foi horrível», disse. Continuará a ser terrível, digo eu.
Entretanto, lá em cima, reproduzidos em píxeis, figuram o melhor jogador do Brasileirão da última época, Ibson (ainda para mais, pela onomástica, um quase excelso dramaturgo, ou um homem que trata os dramas por tu), e a, até há bem pouco tempo, grande esperança do futebol brasileiro, Leandro Lima (um pouco confundido com a idade, é certo, mas seria, certamente, uma preciosa ajuda para um meio-campo inexistente, que serviria de tampão para uma defesa de 5.ª categoria) – e ainda falta dissertar um pouco sobre o que se passou com o Bruno Moraes...
Entretanto, Jesualdo vai descarregando a sua bílis sobre tudo e todos.
Sou sócio do meu clube há quase 33 anos. Já paguei uma enormidade em quotas, uma pequena fortuna em lugares anuais (que abandonei com Adriaanse), e alguma coisa em produtos oficiais com marca registada… não sou accionista, e recuso-me a sê-lo enquanto o controlo pertencer a uma trupe que faz do meu clube um entreposto de jogadores, uma plataforma giratória de jogadores da bola entre a América Latina e a Europa.

A mim Jesualdo não me dá, nem nunca me dará lições de portismo. Afortunadamente, nunca pertenci à tenebrosa e ignara gentinha que por aqui denominei de “massa assobiativa”. Exijo, por isso, respeito e consideração pelo meu sofrimento semanal de adepto fervoroso – é bem certo que atenuado com algumas infelicidades, de todo o género e feitio, que sobre mim se abateram há coisa de sete anos e que insistem na sua laboriosa mortificação da minha alma.

Exige-se responsabilização.

Quero uma explicação cabal para o afastamento daqueles dois que, propositadamente, coloquei a envergar camisolas com outras cores que não as azul e branca.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

«Só perdemos três pontos…»

Arsenal - FC Porto (30/09/2008)
É esta a mentalidade. A frieza dos números. Os três pontos perdidos numa exibição miserável de uma equipa que, só por acaso, envergava a camisola com o emblema de um clube que já por duas vezes venceu a Taça dos Campeões.
Não é que não possa acontecer. Ele há dias maus. O que dificilmente poderei aceitar como adepto e sócio do clube há quase trinta e três anos é o discurso da mediocridade, da desculpabilização do indesculpável, da legitimação da incompetência, da vergonha.
E foram só quatro…
Mas se fossem dez ou onze tudo leva a crer que a arengada passiva pós-coital se manteria. A equipa é jovem, o ambiente foi terrível, jogou-se bem até ao primeiro golo sofrido… depois, foi só deixar correr o marfim… por um ou por vinte, que importa?
Jamais aceitarei um discurso desta estirpe que, mais do que a derrota, me revolve as entranhas e deixa num estado de náusea perante a pequenez.
Não se pode apelar à compra dos lugares anuais, ao Dragão cheio, ao apoio incondicional da equipa e/ou à paciência dos adeptos com comportamentos destes. Está longe das expectativas criadas no fervoroso adepto no início de cada época.
Se o discurso é legítimo, e ademais tacitamente sancionado pelos emudecidos dirigentes do meu clube do coração, então que se tenha a coragem de abandonar de vez a competição internacional, dedicando-se a prestar os serviços mínimos na competiçãozinha interna, onde se reina com um só olho (que enfrenta sérios riscos de perder irremediavelmente a visão).
Está em causa o nome de um clube construído com sangue, suor e lágrimas ao longo das últimas décadas… respeitado e temido.
A resignação… melhor, a demagogia (para ser brando) da matemática dos três pontos perdidos tem de ser severamente repreendida, sob pena de a perda transformar um clube, que, acrescente-se, também é uma sociedade anónima que pretende a valorização dos seus activos e a maximização do valor dos seus accionistas, numa entidade que não se dá ao respeito, moralmente espúria, indigente e degradada.
Em suma, o mal está feito, é uma evidência, mas argumentar com a matemática sem que, rápida e reflectidamente, se exprobre a argumentação, apenas servirá para perpetuar o crime sem castigo.

[Imagem a partir da capa da edição de 01/10/2008 do jornal O Jogo]

segunda-feira, 30 de junho de 2008

O futeboleiro Presidente

Michel Platini

Quarta-feira, 16 de Maio de 1984. A poucas semanas de completar a minha primeira dúzia de anos a vaguear por este mundo – hoje, já completei três – disputava-se na Suíça um dos jogos mais importantes da história futebolística do meu clube desde a sua fundação (28 de Setembro de 1893 pelo vinicultor e exportador de Vinho do Porto António Nicolau de Almeida): a final da Taça das Taças frente à vecchia signora, o clube de Turim Juventus FC, propriedade de Giovanni Agnelli, principal accionista do império FIAT (Fabbrica Italiana Automobili Torino) que ajudou a fundar.
De um lado a superpoderosa Juventus, do outro os irredutíveis homens de azul e banco – dirigidos interinamente por António Morais, dada a ausência forçada do colossal José Maria Pedroto, na batalha final contra a doença que o iria vitimar em Janeiro de 1985. Esses desconhecidos, de dragão ao peito, acabavam de vergar a outrora colossal equipa escocesa do Aberdeen, treinada por um homem chamado Alex Ferguson, saindo do estádio escocês debaixo dos aplausos em pé dos adeptos adversários, numa demonstração de reconhecimento da superioridade evidenciada por Gomes & Companhia nos dois jogos.

Aos dezasseis dias do mês de Maio, do ano da Graça de mil novecentos e oitenta e quatro, disputou-se no Estádio St. Jacob1, Basileia, a final Taça dos Vencedores das Taças, entre Futebol Clube do Porto (Portugal) e a Juventus Football Club (Itália), arbitrada pelo habilidosíssimo árbitro da extinta República Democrática Alemã (RDA) de seu nome Adolf Prokop.
Alinhamento das equipas2:

  • FC Porto: Zé Beto; João Pinto, Lima Pereira, Eurico e Eduardo Luís; Frasco, Jaime Magalhães, Jaime Pacheco e Sousa; Gomes e Vermelhinho. Jogaram ainda: Costa e Mike Walsh. Treinador: António Morais.
  • Juventus FC: Tacconi; Gentile, Scirea, Brio e Cabrini; Tardelli, Platini, Boninni e Vignola; Boniek e Paolo Rossi. Jogou ainda: Caricola. Treinador: Giovanni Trapattoni.

Resultado: FCP – 1 (Sousa, 29’) / Juventus – 2 (Vignola, 13’; Boniek, 85’)

Do jogo ficou a excelente exibição do meu FCP, manchada por uma arbitragem miseravelmente suspeita (aliás com ecos, à laia de rumor, que se fizeram ouvir pela Europa do futebol sobre a sua nomeação nos dias que antecederam o jogo) – eu, com mais 24 anos em cima, não me recordo de uma arbitragem que se aproximasse deste indecoroso calibre; nem o Bruno Paixão em Campo Maior...
Platini era o n.º 10 da equipa de Turim. A Juve venceu a Taça das Taças com a ajuda de uma arbitragem escandalosa de um senhor do outro lado (o leste, miserável) da cortina de ferro. Durante o jogo, ficaram faltas por marcar dentro e fora da área a favor do meu clube. Boniek (o excelente avançado polaco) aproveitou-se e marca o segundo golo em falta sobre os defesas portistas a cinco minutos do final do jogo. Zé Beto é suspenso pela UEFA durante 1 ano porque no túnel de acesso aos balneários tentou tirar satisfações do árbitro e o fiscal de linha interpondo-se ao conflito verbal acabou por levar um pontapé do irascível e saudoso guarda-redes portista.

Recordo-me, vivamente, de me haver agarrado ao meu irmão e de ter chorado de raiva, enquanto ele, então com 8 anos, perguntava à minha mãe: Mas porquê?

No entanto, acabámos por ficar com a Taça exposta no museu dos troféus conquistados. Numa demonstração inequívoca de amor ao clube, os sócios juntaram-se e arrecadaram o dinheiro necessário para construir uma réplica da dita taça e ofereceram-na ao FCP, como acto simbólico de reposição da justiça que faltou, que apaziguou a revolta que ainda vivia nos corações de todos os adeptos.

Por onde andavas Michel Platini? O homem que hoje se arroga das transparência e lealdade desportivas.
É um futeboleiro. Nunca deixou de o ser. Não se enganem. É por falar francês? Língua que, aos nossos ouvidos terceiro-mundistas, pela fonética lhe empresta um certo ar imperial, superior e afectado.
Platini fala do que desconhece na íntegra. Aparentemente, serve de mero ventríloquo das opiniões de alguém que as fez soprar ao ouvido, desautorizando a instâncias jurídicas e disciplinares do organismo máximo que superintende. Hoje, por exemplo, houve o encerramento definitivo de parte de um dos dois processos (o do Estrela da Amadora)…
E depois, M. Platini?

Notas:

  1. O amnésico-lacunar Valdemar Duarte da TVI, que a propósito de tudo e de nada se referia a qualquer incursão benfiquista, antiga ou recente, por terras austríacas e helvéticas – não se pôde, no entanto, furtar à referência do calcanhar de Madjer e eventos conexos no agora Ernst Happel, outrora apenas Praterstadion, que recebeu a final do Euro 2008 – esqueceu-se, que eu saiba, de mencionar a célebre final de Basileia em 1984. St. Jacob era um dos estádios do Europeu deste ano, tendo recebido inclusivamente um dos quatro jogos da selecção nacional.
  2. A constituição das equipas foi retirada do livro de Rémulo Jónatas e Bernardino Barros, Mui Nobre e Sempre Invicto Clube do Porto (Parede, Prime Books, 1.ª ed., pág. 44).

sábado, 5 de abril de 2008

1,... [com promessa]

V

O rapaz e a mãe ficaram a olhar para a carrinha até aquela desaparecer ao dobrar da esquina. No interior da casa reinava de novo um silêncio de morte. Ele já não se tinha de preocupar com o Rover, ter de verificar se ele estava a fazer algo aos tapetes, ou a morder os móveis, ou até verificar se ele tinha água suficiente ou algo que comer. Rover era a primeira coisa com que se costumava preocupar todos os dias quando regressava da escola e quando a ela voltava de manhã; andara sempre preocupado que o cão pudesse fazer alguma coisa que desagradasse o seu pai e a sua mãe. Agora toda essa ansiedade acabou e, com ela, o prazer, e a casa estava silenciosa.

Ele regressou à mesa da cozinha e tentou pensar em algo que pudesse desenhar. Um jornal estava pousado numa das cadeiras, ele abriu-o e deparou-se com um anúncio a meias da Saks que mostrava uma mulher que envergava um fino vestido, aberto para exibir a perna. Ele começou a desenhá-lo e voltou a pensar em Lucille. Será que poderia ligar-lhe, interrogava-se, e fazer aquilo que haviam feito da última vez? Apesar de ela, com certeza, poder vir a perguntar pelo Rover e não tinha alternativa senão mentir-lhe. Ele recordou-se da forma como ela afagara o Rover nos seus braços, até chegara a beijar-lhe o nariz. Ela amava o cachorrinho. Como é que ele lhe poderia contar que já não o tinha? Só de estar sentado a pensar nela, sentia-o a entesar como um pau de vassoura, e de súbito, perguntou-se, e se lhe telefonasse a dizer que a família estava a pensar num segundo cão para fazer companhia ao Rover? Mas nesse caso ele teria de fingir que continuava a possuir o Rover, o que passaria a envolver duas mentiras, e isso já era um pouco assustador. Nem é tanto as mentiras, à medida que tentava recordar, primeiro, que ele ainda tinha o Rover, segundo, que estava a falar a sério quanto ao segundo cão, e, terceiro, a pior de todas, que quando ele saísse e se levantasse de Lucille ele teria de dizer que infelizmente não poderia levar outro cão porque… Porquê? Só o facto de haver perfilado esses pensamentos, deixou-o exausto. Depois viu-se a si mesmo no meio do calor dela e pensou que a sua cabeça lhe explodia, e veio-lhe à ideia que quando tudo acabasse ela poderia insistir que ele levasse outro cachorrinho. Forçá-lo a isso. Afinal de contas, pensou ele, ela não lhe aceitou os três dólares e o Rover foi uma espécie de presente. Seria embaraçoso rejeitar a oferta de outro cão, especialmente por ele haver regressado especificamente por essa razão. Ele não se atreveria a ir para frente com tudo isso e desistiu da sua ideia. Mas depois arrastou de novo à sua memória a imagem dela escarrapachada no chão da maneira que o fizera, e ele voltou a procurar um motivo para alegar na recusa do segundo cão, depois de ter percorrido Brooklyn inteiro para o ir buscar. Ele quase que lhe podia ver a expressão da cara no momento em que ele recusasse o segundo cão, a estupefacção ou, pior, a fúria. Sim, era bem possível que ela ficasse furiosa e que visse tudo através dele, podendo-se sentir insultada, apercebendo-se de que ele apenas viera para se aproveitar dela e tudo o resto era uma leviandade. Até o poderia esbofetear. O que faria ele a seguir? Ele não podia dar luta a uma mulher adulta. Mas, ocorreu-lhe que por esta altura ela era bem capaz de já ter vendido os outros dois cães, que a três dólares cada um eram bastantes baratos. E depois? Ele começou a interrogar-se, suponhamos que ele lhe telefonava e, sem mencionar qualquer cão, lhe dizia que gostaria de regressar a sua casa para a visitar? Ele apenas teria de contar uma mentira, que ele ainda tinha o Rover e de que a sua família o adorava, e por aí fora. Ele podia facilmente aguentar com isso. Sentou-se ao piano e tocou alguns acordes, a maioria nas teclas pretas de som grave, para se acalmar. Na realidade, ele não sabia tocar piano, mas adorava inventar acordes, deixando que as vibrações atingissem os seus braços. Ele tocava, sentindo-se como se algo dentro dele abanasse desenfreadamente e houvesse colapsado ao mesmo tempo. Ele estava diferente do que tinha sido, não limpo e vazio, mas coberto de segredos e das suas mentiras, algumas ditas outras não, mas todas desagradáveis o suficiente para o manter ligeiramente fora da sua família, num local onde ele agora os poderia observar, e observá-los com ele. Ele tentou criar uma melodia com a mão direita tentando encontrar os acordes harmonizáveis com a esquerda. Por pura sorte, ele conseguia criar alguma beleza. Era realmente surpreendente, como os seus acordes só estavam ligeiramente dissonantes, com uma intensidade discordante mas mantinham-se, de algum modo, num diálogo harmonioso com a melodia tocada pela sua mão direita. A mãe dele entrou na sala surpreendida e pasmada de prazer. “O que se está a passar?” clamou ela em delírio. Ela sabia piano e tocar música de ouvido, tentou ensiná-lo mas falhou, porque, acreditou ela, o ouvido dele era muito bom e ele preferia tocar aquilo que ouvisse do que ter o trabalho de ler notas na pauta. Ela aproximou-se do piano e permaneceu perto do rapaz, observando-lhe as mãos. Espantada, desejando, como sempre que ele pudesse ser um génio, ela riu-se. “Estás a improvisar?” ela quase gritou, como se estivessem lado a lado a descer uma montanha russa. Ele apenas podia abanar a cabeça, não se atrevendo a falar, caso contrário talvez pudesse perder o que ele, de alguma forma, apanhou do ar, e riu-se com ela porque se sentia tão feliz por haver secretamente mudado, e, ao mesmo tempo, tinha dúvidas de que no futuro pudesse alguma vez voltar a tocar assim.

FIM


Arthur Miller, "Bulldog", The New Yorker, (8/13/2001), 2001, pp. 72-76 [Tradução: AMC, Mar/2008]

(nota: a divisão do conto em capítulos é da minha inteira responsabilidade – Cap. V: 4615 caracteres)

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Amanhã, terminarei, pelos menos de forma temporária, a minha actividade na blogosfera. A indisciplina e o torvelinho de emoções que se me assaltou nos últimos tempos, advindos sobretudo de um cansaço mental percebido – e, convenhamos, se aquele é de facto consciente, já não estamos nada mal… – não se coaduna com o vício diário de exibir a pobreza dos meus pensamentos ao mundo – e acreditem que não é falsa modéstia, vinha sentindo uma certa deterioração que com alguma premência exigia um afastamento… para não gangrenar e arruinar de vez (passe a redundância) um dos meus passatempos favoritos: escrever (e, claro, ser lido).
Às 20:45 estarei nas Antas a assistir ao primeiro jogo da época e será porventura o último até ao seu final. Com mais 6 ou menos 6 pontos lá estarei a emprestar a minha voz àqueles cujo justo domínio avassalador durante três décadas, dentro e fora de portas, um sistema judicial estranhamente unidireccional, tão podre e tão repugnante como aqueles que neste momento são por ele investigados, pretende fazer esquecer… Canal Caveira eclipsou-se e ninguém pretende que, recorrendo ao simples método da reconstituição histórica, se escrutine os 60 anos que precederam o 25 de Abril de 1974. A rádio não exibia repetições… Um tal de Joel, que substituiu Rui Oliveira e Costa, dizia na televisão pública na passada terça-feira com toda a desfaçatez: "seis pontos não compensam vinte anos". Ao ponto a que chegou a desvergonha e o descaramento de quem não consegue aceitar, pelo menos, algumas das inúmeras derrotas e de reconhecer o mérito a quem de facto o teve durante anos a fio; é que nem das "unhas" se conseguiu recordar!...
A promessa: deixarei aqui uma pequena história, conto ou, se preferirem, uma pequena peça escrita sem pretensões literárias de apelo à memória, que é tão curta neste país de medíocres. Irá chamar-se "Bokassa".
[cancelada por manifesta falta de vontade]