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quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Rapsódia em Azul – Manhattan



Em degustação e por mais quatro anos…


Punch line: He’s done a great job on you. Your self-esteem is like a notch below Kafka’s.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Prémio Nobel da Paz 2009 (act. – “desvarios asininos”)

Este prémio fica-lhe tão bem...



Barack Hussein Obama
(Honolulu, Havai, 4 de Agosto de 1961)

Nota: ver esta minha curta, mas significativa, manifestação de vontade a 3 de Novembro de 2008. Para mais informações, consultar a página oficial do Prémio Nobel da Paz deste ano ou a notícia aqui publicada em português (com vídeo).


(...)
O! thus be it ever, when freemen shall stand
Between their loved home and the war's desolation!
Blest with victory and peace, may the heav'n rescued land
Praise the Power that hath made and preserved us a nation.
Then conquer we must, when our cause it is just,
And this be our motto: 'In God is our trust.'
And the star-spangled banner in triumph shall wave
O'er the land of the free and the home of the brave

[actualização] Numa coisa Sócrates tem razão, e foi por diversas vezes referida nos debates quinzenais na Assembleia da República, o sectarismo primário (passe o pleonasmo) dos agentes políticos da esquerda portuguesa mina, à partida, ou inviabiliza, por cautela, qualquer tipo de transferência (por integração ou por cessão) de parte da responsabilidade governativa para os partidos que representam, na tentativa de prossecução de uma política global equilibrada e coerente na condução dos destinos do país.
Se mais palavras faltassem – e suponho que a sua intensidade no parágrafo anterior não peca por escassez –, complementá-las-ia com as declarações hoje proferidas pelo secretário-geral dos PCP e do coordenador do Bloco de Esquerda – e neste último caso sempre achei curiosa esta denominação eufemística para o chefe supremo, por quem vitupera aqueles que designam os seus “trabalhadores” como “colaboradores” – a propósito da atribuição do Prémio Nobel da Paz ao presidente Barack Obama. E o que se me afigura de mais grave em ambas as declarações, não se prende com a useira demagogia de pendor esquerdista (também a há a rodos na direita), nem tão-pouco com uma repentina soberba pela derrogação do vituperado “politicamente correcto”, mas com a ostensiva pobreza de espírito revelada até à náusea, bem demonstrativa da pequenez de políticos que, ao arrepio do que acontece em qualquer país dito civilizado, obtiveram em conjunto 1.005.056 de votos (cerca de 17,7% sobre o total de votantes) e 31 mandatos na A.R. nas eleições legislativas de 27 de Setembro último. Jerónimo – que vê uma espécie de democracia em países como a Coreia do Norte, Cuba ou até a Venezuela – e Louçã – o nacionalizador verde eufémia – alinharam as suas vozes com gente bem reputada no panorama político internacional: Hugo Chávez, Zabihullah Mujahid (porta-voz dos talibãs afegãos), ou os moderados dirigentes do Hamas.
De todo o mundo surgiram vozes de exultação. Para além das manifestações de regozijo dos tradicionais aliados ocidentais ou ocidentalizados (tanto de esquerda, como de direita), houve, para citar alguns exemplos, demonstrações de clara satisfação de Nelson Mandela, Mikhail Gorbachov, Muhammad Yunus ou de Wangari Maathai (activista política queniana).

Já bem perguntava o outro, o pai inspirador destes desvarios asininos: Que Fazer?

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Sensibilidade e Bom Senso*

Segundo debate da campanha para as presidenciais nos Estados Unidos: 7 de Outubro de 2008, Belmont University, em Nashville, Tennessee.
Uma assistente na plateia, Katie Hamm, faz a pergunta:
«Deveriam os Estados Unidos respeitar a soberania do Paquistão e não perseguir os terroristas da Al-Qaeda que aí mantêm bases, ou deveriam atravessar outras fronteiras e perseguir os nossos inimigos, como fizemos no Camboja durante a Guerra do Vietname?» [tradução: AMC]
O que se seguiu? Tenho a certeza de que a maioria dos que agora lêem estas linhas se lembra do escarnecimento e do sarcasmo de McCain – puerilidade, senilidade ou dificuldade em enfrentar os factos perante os apoios passados comprometedores prestados através de voto no Senado? – ante a resposta de Obama à pergunta formulada pela espectadora.
No fim do 4.º minuto, Obama torna a explicar a sua posição circunstanciada e clarividente; McCain na réplica veste a sua pose artrítica e sofredora e puxa dos lustrosos galões do sofrimento vietnamita…


Depois dos ataques de 26 de Novembro em Mumbai (antiga Bombaim) na Índia, que se prolongaram até anteontem, dia 29, que mataram e feriram centenas de civis inocentes, mais alguém* tem dúvidas sobre a tal necessidade de mudança que, felizmente, irá operar-se no próximo dia 20 de Janeiro na Casa Branca?

Notas: *Este blogue passa, claramente, pela sua fase mais austeniana de sempre.
**E usei a expressão “mais alguém” porque os próprios apoiantes lusos de Obama, um pouco por todo o lado, da televisão aos jornais, das rádios aos blogues, apostrofaram como infelizes aquelas declarações (eufemismo que o verbo não deixa demonstrar em toda a sua característica brandura) – alguns chamavam-lhe já o novo “falcão”.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Exteriorização

Para um americanófilo é chegada a hora do minimalismo argumentativo (por todas as razões que reputo e assevero como válidas) sobre o evento que, amanhã, terça-feira, 4 de Novembro de 2008, irá parar o mundo:


Barack Obama

quinta-feira, 10 de maio de 2007

O Dia da Memória

Faltam 5 dias…
Maio, dia 15, dia de estreia mundial do 14.º romance de Don DeLillo (n. 1936, Nova Iorque), depois de (1) Americana, 1971; (2) End Zone, 1972; (3) Great Jones Street, 1973; (4) Ratner's Star, 1976; (5) Players, 1977; (6) Running Dog, 1978; (7) The Names, 1982 (Os Nomes, Relógio D’Água); (8) White Noise, 1985 (Ruído Branco, Presença); (9) Libra, 1988 (Libra, Presença); (10) Mao II, 1991 (Mao II, Relógio D’Água); (11) Underworld, 1997; (12) The Body Artist, 2001 (O Corpo enquanto Arte, Relógio D’Água) e (13) Cosmopolis, 2003 (Cosmópolis, Relógio D’Água).

O primeiro Grande a escrever sem rodeios sobre o Dia da Memória: 11/09/2001.
Sem mais palavras, o incompreensível fragor que emudeceu o mundo…

«It was not a street anymore but a world, a time and space of falling ash and near night. He was walking north through rubble and mud and there were people running past holding towels to their faces or jackets over their heads. They had handkerchiefs pressed to their mouths. They had shoes in their hands, a woman with a shoe in each hand, running past him. They ran and fell, some of them, confused and ungainly, with debris coming down around them, and there were people taking shelter under cars.

The roar was still in the air, the buckling rumble of the fall. This was the world now. Smoke and ash came rolling down streets and turning corners, busting around corners, seismic tides of smoke, with office paper flashing past, standard sheets with cutting edge, skimming, whipping past, otherworldly things in the morning pall.
»
Don DeLillo, The Falling Man (Scribner).

terça-feira, 1 de maio de 2007

BHL - 4 [actualizado]

Bem, depois disto (e dos restantes apêndices neste blogue), nada melhor do que ouvir Bernard-Henri Lévy a propósito do lançamento do seu livro Vertigem Americana em Portugal, no Palácio Fronteira, em Lisboa, num debate moderado por Pacheco Pereira...

(Como a empresa Sapo do Sr. Bava, grupo PT, resolveu excluir os não-clientes do seu paupérrimo serviço de internet – do qual, felizmente, já me desintoxiquei –, o vídeo que aqui postei deixou de estar disponível).

Assim, em jeito de substituição para muito melhor – Postiga por Anderson, Jesualdo! –, deixo aqui ficar uma entrevista concedida por BHL ao notável Charlie Rose em 27 de Janeiro de 2006:






Nota: Charlie Rose também é mencionado no livro de BHL, é parte integrante de um nostálgico e delicioso episódio onde Rose regressa à sua terra natal, Henderson, na Carolina do Norte. O episódio (subcapítulo) intitula-se "Home with the wind" (BHL, Vertigem americana, ..., pp. 227-230, op. cit.)

O Fim da História e o Choque das Civilizações

Vertigem Americana: Uma viagem pela América profunda seguindo os passos de Tocqueville, é um retrato da América dos nossos dias vista pelos olhos de Bernard-Henri Lévy.

BHL, empresário, escritor e filósofo francês, nascido na Argélia em 1948, de ascendência judaica, aluno de Derrida e de Althusser na École Normale Supérieure em Paris, é considerado o pai do movimento dos “Novos Filósofos”, surgido no início dos anos 70 do século passado em Paris, incluindo nomes como André Glucksmann ou Christian Jambet, entre outros, que, pretendendo romper com a tendência marxista (o capitalismo era tido como a origem de todos os males) dos seus antecessores pós-estruturalistas (e.g. Derrida, Foucault, Deleuze) fortemente arreigada na ideologia de base de regimes totalitários e afastando-se das suas nefastas sequelas sobre a realidade humana envolvente, denuncia o afastamento daquelas escolas do pensamento de uma necessária e inevitável abordagem centrada no indivíduo, de uma ligação mais concreta ao cenário internacional e de uma maior visibilidade do pensamento filosófico através dos meios de comunicação social.
A Nova Filosofia, mereceu como é óbvio a forte contestação do establishment do pensamento filosófico francês, entre os principais críticos destaque-se Gilles Deleuze que, em entrevista concedida à revista Minuit de Maio de 1977, chega a afirmar que para ele os Novos Filósofos «nada» representam, acrescentando que crê «que o pensamento deles é nulo.» Lançando de seguida fortes ataques a BHL, em jeito de resposta a ideias por ele professadas: «Ele diz que existe uma ligação profunda entre o Anti-Édipo e “a apologia do podre perante a miséria da decadência” (e é assim que ele o diz), uma ligação profunda entre o Anti-Édipo e os consumidores de drogas. Pelo menos, isto fará rir os drogados. Ele diz, também, que o CERFI [Centre d’études, de recherches et de formation institutionnelles, fundado por Félix Guattari, do qual fez parte Deleuze, e co-autor de O Anti-Édipo] é racista: ora isso é ignóbil.»
Enfim, pretendeu-se aqui dar apenas uma pequena amostra da truculência opinativa, e da instabilidade provocada, de BHL na difícil interacção com o seu meio de explanação intelectual, que, de todo, não é o assunto principal deste texto.

BHL, a convite da revista norte-americana Atlantic Monthly percorreu durante um ano o território americano, 170 anos depois do seu compatriota Alexis de Tocqueville haver imergido na América profunda, por ofício do Governo francês, com o objectivo inicial de estudar o sistema prisional americano. Porém, Tocqueville, na companhia de Beaumont, acabou por ir mais além e desenvolver o fabuloso e celebérrimo tratado Da Democracia na América.

O livro, para além do prefácio de Freitas do Amaral na edição portuguesa, está dividido em três partes fundamentais: a primeira trata das expectativas e dos preparativos para viagem de BHL; a segunda, que ocupa grande parte do livro, dedica-se aos relatos da viagem (dividida em 7 partidas); e a terceira e última, o epílogo, a que o autor dedica uma aprofundada análise filosófica, baseada na experiência, sobre o conceito de se ser americano; sobre a ideologia americana e a sua relação com emergência do terrorismo após o 11 de Setembro de 2001; e uma reflexão sobre a essência da América, sobre os estereótipos do imperialismo, do fundamentalismo e do neoconservadorismo; para além de um post-scriptum sobre o furacão Katrina e das longas fracturas reveladas da sociedade americana, já quando BHL havia concluído a sua viagem e se encontrava a elaborar os remates finais do livro.

América, terra de contrastes (não é novidade). Local onde coabitam numa estranha harmonia o maior dos sonhos, o idílio de uma vida dourada, e o mais negro dos pesadelos, a pobreza e a exclusão (também aqui não resulta nada de novo para os nossos estafados ouvidos europeus). Caldeirão de culturas, de religiões e de raças (idem). A venda livre de armas, a mercantilização da religião e dos seus templos, o endeusamento da iniciativa privada e da privatização dos serviços públicos e das funções do Estado (designadamente da Saúde, da Segurança Social e até de parte do sistema prisional), …
Tudo isto não é novo, porém a beleza da obra resulta das reflexões de BHL que se entrecruzam nos diversos relatos; no seu esforço de se desintoxicar dos apriorismos de um francês cultivado de lugares-comuns antiamericanos; em suma, procura desempenhar o papel de observador neutro e descomplexado para captar a verdadeira essência daquele todo social, sobre a qual, a pedra angular, se constrói aquela babilónia de formas de pensar, de sentir e de agir e que se consubstancia num padrão comportamental social único, por vezes ininteligível para o cidadão europeu.
De Newport a Des Moines, passando por Montana, de Seattle a San Diego, de Las Vegas a Tempe, de Austin (capital do Texas) a Little Rock, de Miami a Pittsburgh, passando por Washington, D. C. e terminando em Cape Cod, ficam as marcas em: a descrição do sistema prisional, onde Guantánamo é uma síntese daquilo que pôde observar no resto do país; as cidades desproporcionalmente grandes para as necessidades da comunidade; o estado de abandono de Detroit (outrora a sede de uma indústria automóvel em expansão) e as cidades fantasma; a incomensurabilidade de Los Angeles (a anti-cidade, sem um centro de referência) que se estende desde a costa do Pacífico por 70 km para Leste e cerca de 80 km para Sul desde o ponto mais a norte; a sua paixão por cidades como Seattle, Savannah, Nova Orleães e Boston, cidades que escolheria para viver se emigrasse para os EUA; os republicanos que votaram Kerry em 2004 e os democratas (e extremistas de esquerda) que votaram Bush; o encantamento pela mente esclarecida de Warren Beatty, por Woody Allen e a sua paixão pelo seu clarinete; uma certa decepção com Kerry e a sua comitiva; a conversa com Norman Mailer; as conspirações sobre o suicídio de Hemingway; os índios republicanos e anti-semitas; a exagerada propensão para a entronização da banalidade em museus (o exemplo picaresco da tábua de queijos como obra de arte em exposição); as comunidades herméticas de velhos reformados onde não é autorizada a permanência a menores de 55 anos, onde apenas se subsiste contando os dias para o fim da vida numa condição quase que pueril (aquilo que BHL designa como o apartheid dourado); as feiras de armamento abertas ao público, onde BHL foi revistado à entrada enquanto casais, tipicamente pertencentes à classe média, saíam com espingardas a tiracolo; a imensa mole de cubanos cristalizados no tempo que ocupam grande parte da cidade de Miami; a forma peculiar de conservação da natureza, que se pode encontrar nos pântanos do Everglades; a história tenebrosa por detrás do icónico Mount Rushmore; a vigilância da fronteira com o México e a política de recrutamento dos guardas fronteiriços; a emergência do criacionismo e a sua influência, por exemplo, na formação do Grand Canyon; os mórmones, os quakers e as seitas apocalípticas.
Enfim, uma multiplicidade de encontros e desencontros com as práticas civilizacionais europeias.

Será que, através desta análise em solo americano, poderemos vislumbrar o fim da História (Hegel ou Marx, ou…)? Ou pelo contrário, ela sobrevive pelo iminente e inevitável choque civilizacional?
Numa interessante análise final, BHL parte de dois paradigmas e aplica-os à situação corrente da maior potência mundial:
Francis Fukuyama vs. Samuel Huntington.
O fim da História por Fukuyama, a era da pós-historia, pela queda do comunismo, pelo esboroamento das ideologias fundadas na dicotomia capitalismo (por oposição) versus comunismo e pela emergência (vitória) da democracia liberal (economia neoliberal) como único sistema sem contraditório porque vazia de ideias sujeitas a discussão, desempenhando a política uma função meramente administrativa.
A refutação desse fim anunciado, onde Huntington professa que finda a guerra das ideologias, ela será de imediato substituída pelo choque de civilizações que forçosamente manterão viva a História, embora esse prognóstico sirva de instrumento teórico, como refere BHL, para a barbárie contra a grande comunidade hispânica (e não só) nos EUA, tal como sucedeu no início do século XX, segundo Huntington: «“a plebe amorfa multicolor” de “eslavo-latinos” e de “judeus do oriente” que vinham corromper “a personalidade política e moral dos Estados Unidos”» havendo-se perdido «o credo britânico que fez a nossa boa e bela nação» (pág. 287).

Por outro lado, são também interessantes as teses da putativa propensão americana para a subjugação imperial dos povos através da sua política externa, que BHL refuta recorrendo à velha noção de império e do autoritarismo imanente que de facto não existe. Ademais, BHL defende que a forma como os sucessivos governos norte-americanos olham para o exterior não assenta num princípio que permita divisar a forte segmentação entre a direita e a esquerda, entre republicanos e democratas. Para isso, e de modo simplista (como ele próprio define) BHL divide o intervencionismo americano no exterior em quatro correntes distintas, partindo da dicotomia intervencionista/isolacionista: jeffersoniana (talvez a única com um pendor marcadamente partidário, a extrema direita republicana e cujo nome decorre do isolacionismo preconizado pelo terceiro presidente americano, Thomas Jefferson, defendida por exemplo por James Baker aquando da intervenção dos EUA na Bósnia, que não vislumbrava algum interesse imediato na participação dos americanos no conflito dos Balcãs), a hamiltoniana (oriunda do Pai Fundador Alexander Hamilton, que preconizava a intervenção no exterior apenas em defesa dos interesses económicos e comerciais dos EUA), a jacksoniana (decorrente do 7.º presidente dos Estados Unidos Andrew Jackson, que defende a intervenção só quando os interesses vitais americanos – de todo o tipo – estiverem em jogo, sendo que a intervenção deveria ser rápida, seguir a forma do “hit and run”) e, finalmente, porventura a mais conhecida, a wilsoniana (decorrente do 28.º presidente norte-americano Woodrow Wilson, apologista do intervencionismo puro e duradouro, política que esteve na génese da decisão de entrada dos EUA em 1916 na 1.ª Guerra Mundial, quando Wilson verificou que seria inútil e uma mera perda de tempo, com consequências nefastas, a tentativa de se estabelecer um acordo de paz entre as partes).
BHL, por fim deixa nas entrelinhas e sobre a forma interrogativa pistas que nos dão a ideia dos EUA como um país laico e de pendor não imperialista, ao contrário dos preconceitos dos seus preclaros concidadãos europeus.
Vertigem Americana é um bom livro (embora entediante a espaços, por exemplo quando o autor parece perder-se em algumas divagações filosóficas), que se segue com interesse pela quase inatingível capacidade enciclopédica ao abarcar o mosaico social multicolor de um país que continua, hoje em dia, a despertar o maior dos fascínios ao cidadão estrangeiro, mesmo naqueles que, de forma categórica, exprobram a sua bandeira, as suas cores, enfim, the american way of life.
E não será essa execração antiamericana uma forma de fascínio?

Classificação: **** (Bom)

Referência bibliográfica:
Bernard-Henri Lévy, Vertigem Americana. Porto: Caderno (Asa), 1.ª edição, Fevereiro de 2007, 366 pp. (tradução de Carlos Aboim de Brito; obra original: American Vertigo, 2006).



Nota: ler o que já referi aqui e aqui a propósito deste livro e que me escusei a repetir neste texto.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

BHL – 2

Rosa Parks
Por estes dias em que se comemora a liberdade, gritada na rua pelo povo amordaçado e confinado à pequenez de um império que se dizia grande, e de repente manchada pela tirania das ideologias, vou-me deleitando com BHL e a sua Vertigem Americana, seguindo os passos de Tocqueville – não, não ouvi os habituais discursos de cravo na lapela e de ódio na alma; vou empilhando, no infinitésimo lugar da minha alma que se dedica aos assuntos políticos, fragmentos de um desprezo cada vez maior por essa classe que, de forma altruísta – dizem eles –, da justiça – esse conceito amplo e enigmático – faz compadrio, corrompe, manipula, trucida os cumpridores e absolve os que dela se servem para apagar as manchas de um passado vergonhoso e lhes garantir um futuro sem perigos e afortunado para os abutres complacentes que os rodeiam: os medíocres.

Ponto de ordem (regresso a BHL): não é que nas escassas duzentas páginas que até agora traguei tenha encontrado um discurso literário exemplar, dentro do limite estético que uma obra sobre um relato verídico de uma grande viagem permite; em abono da verdade, até encontrei em algumas passagens um tipo de dissertação eivada de preconcepções e de uma visão europeísta sobranceira que, por muito esforço de despoluição que se tenha empreendido, contamina uma realidade, apesar de tudo, díspar.
Acabei de sentir um impulso irreprimível para neste espaço escrever qualquer coisa sobre um dos episódios que acabei de ler e que, fruto do tempo ou quiçá de uma instabilidade emocional – e que se fodam os presumidos coriáceos que nunca verteram uma lágrima perante o belo, na miríade de formas que este pode assumir –, me comoveu profundamente pelo exemplo de coragem, de abnegação por uma causa sem proveito próprio, pelo carácter de dois homens que, como BHL os definiu, são «duas personagens admiráveis» (pág. 193): Morris Seligman Dees, Jr. e Jim Carrier.

Liberdade!

terça-feira, 24 de abril de 2007

BHL

Após a leitura de mais uns clássicos e de outras obras intemporais pela referencialidade literária – a minha habitual pausa entre as novidades editoriais –, receoso em retroceder a passo de caranguejo às páginas que ainda não li da colectânea de textos de Umberto Eco, editada este ano em Portugal pela Difel – gosto mais dele na pele de ficcionista, embora neste último livro concorde com a ideia de “europeísmo subconsciente” –, decidi, em definitivo, embarcar na Vertigem de BHL, seguindo, 173 anos depois, os passos de Alexis de Tocqueville pela América profunda.
BHL é a sigla por que ficou conhecido o filósofo francês contemporâneo Bernard-Henri Lévy. O prefácio da edição portuguesa de Vertigem Americana (Caderno, 2007) foi redigido pelo inefável DFA. Cansado da vida política após uma curta estadia no MNE patrocinada pelo Eng.º (?) JS, leccionará a última aula da sua longa carreira de professor universitário (entretanto jubilado) no próximo dia 22 de Maio na FDUNL, enquanto calcorreia o país em conferências, ladeado pelo seu grande neoamigo MS com todo o fervor oratório anti-imperialismo americano.
Lido o prefácio de escassas seis páginas, certamente estudado com a mais cuidadoso detalhe, dada a forte sensibilidade mediático-explosiva que o seu nome angariou na opinião pública e na dita publicada em tempos de excitação ideológica de certa forma sinuosa, destaco uma singela asserção que, vinda de quem veio, abalou o cerne das minhas (poucas) certezas:
Os EUA como o «país mais maravilhoso da História!» (pág. 15, 1.ª ed.)

Para um americanófilo empedernido como eu, no que respeita à literatura, ao cinema, à música e até à filosofia inerente ao seu sistema democrático, compreendereis decerto a magnitude do tremor que aquelas palavras me provocaram…

Adiante! Daqui a uns dias postarei a minha apreciação, sem ruído literário de outra espécie que a possa perturbar.

GbA!

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

My home sweet home

Orhan Pamuk
O perigoso covil de terroristas internacionais da igreja do capitalismo selvagem e globalizante acolheu mais um perigoso agitador: Orhan Pamuk, Prémio Nobel da Literatura 2006.
Depois de haver acolhido Salman Rushdie, esse anglo-indiano que provocou a ira desse pacifista e ponderado Ayatollah Khomeini, a tal ponto que este se viu obrigado a declarar-lhe uma fatwa, os Estados Unidos recebem um potencial genocida literário – talvez pela envergadura da obra – de nome Pamuk, que se recusou a negar o genocídio arménio perante os seus concidadãos em nome da verdade histórica.
Daí perfilhar estas singelas, porém acutilantes, palavras do
Eduardo Pitta em três orações: Pamuk fez as malas e partiu. Para o sítio do costume.