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quarta-feira, 5 de março de 2008

Sem paciência

Sem a mínima pachorra para as habituais pseudo-recensões – ao contrário de outros apocalípticos, este blogue segue inexoravelmente para implosão, leia-se mente arrevesada que não sabe o quer – aqui ficam três imagens de três livros que li nas últimas semanas, unindo-os a publicação em 2008 no mercado português dos livros.
As respectivas notas de apreciação seguem, como é hábito – homessa, alguns hábitos são difíceis de extinguir, mesmo recorrendo ao rapazinho nuclear – directamente para a coluna do lado direito dedicada aos livros editados este ano.
Extraordinariamente tocante (atendendo à idiossincrasia do alter-ego literário), fina ironia (as provas) e erudição (nas parábolas), e a tal que supostamente era mas não passou da prima-do-mestre-de-obras (literatura regional e do usurpado, tirada semi-nabokoviana), e isto, respectivamente (já não sei de quê):



Nota: amanhã, talvez (Doce?, e se tiver paciência, lá está?) postarei aqui um grupo de 50 obras de pressão (incentivado por um comentário da Cristina ao texto anterior).

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Direito de resposta

Exercido por Abílio Neto, santomense, autor do blogue Uma Abordagem, como resultado do texto por mim publicado no passado dia 13 de Junho de 2007, sob o título “Hermenêutica do Racismo”:

«
Caros,
Sobre os V/ escritos.
É preciso não conhecer a obra do Chinua Achebe, CA, (ninguém é obrigado a conhecer tudo), só assim se explicando a estreiteza dos V/ comentários. Reduzir a complexidade da escrita de CA ao mais simples PC parece dar razão ao principal argumento do seu artigo sobre a obra de Conrad: não é (continua a não ser) possível existir complexidade no homem africano, real, criador e / ou representado.
Sobre a justificação da minha intervenção.
Conheço bem as obras de Achebe, Conrad, DeLillo, Roth - nutro uma autêntica paixão por qualquer uma delas - e também pela obra de Edward Said, cuja leitura aconselho, caso queiram ter uma ideia de outras aproximações, considerando as limitações dos comentários que acabei de ler.
Sobre os meus argumentos.
Tanto CA como Said reconhecem o talento dos autores das obras analisadas, reconhecem a qualidade literária das obras, reconhecem o contexto da narração e da acção e reconhecem a «injustiça literária» das suas abordagens, mas avançam para análise, antecipando as suas perspectivas, são culturalistas. Por isso, obrigam-se, no seu tempo, podendo fazê-lo (na altura em que Conrad publicou não podiam fazer...) a dar as suas visões críticas, claro e óbvio, sem fugir ao enquadramento político, que os motiva, pelas suas condições. Para tal, preocupam-se em desconstruir textos de manifesta visibilidade, porque são aqueles que fazem consciências. O privilégio de não ter que o fazer desta forma, a forma de CA e Said, é dos Ocidentais... que podem e puderam sempre ler, tranquila e incondicionalmente.
Sobre mim.
Sim, sou africano, já consigo e posso ler, e, hoje, nem sequer sou particularmente «exótico». Não, não considero Conrad um racista, considero que ele não podia ser outra coisa, e isso agrada-me, porque, hoje, eu posso ser o que quiser. Graças ao Conrad, ao Chinua, ao Roth, ao DeLillo, ao Said e a muitos outros.
Gosto deste blog. Continue. Que merecerá a minha visita.
Desculpa pela maçada ou massada! Feito à correr.
Abraços,

Abílio Neto
».

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Hermenêutica do Racismo [corrigido]

1.º Passo: Impotência e Ingovernabilidade (assunção)
(seguindo os passos até ao São João)


Enquanto Lisboa dorme, o mundo trabalha, e uma vez mais o júri do Man Booker International Prize trabalhou (mal, na minha opinião de metediço em assuntos literários… atem-te às Finanças Empresariais, porra! – diz-me a voz interior) e resolveu ignorar os americanos – esses imperialistas… – Philip Roth e Don DeLillo, nascidos na década de 1930, tal como o vencedor, o romancista, contista, poeta, ensaísta e crítico literário nigeriano Chinua Achebe (n. 1930) – apenas com dois livros publicados em Portugal – celebrizado pelo seu primeiro romance Things Fall Apart (1958) e pela crítica feroz ao racismo demonstrado por Joseph Conrad na sua obra-prima O Coração das Trevas, numa prelecção dada na Universidade de Massachusetts em Fevereiro de 1975, sob o título An Image of Africa: Racism in Conrad's Heart of Darkness – mais tarde publicada na Massachusetts Review vol. 18 (1977).
Achebe é ademais conhecido pela defesa intransigente dos valores culturais africanos perante a constatação das suas flexibilidade e demissão ante o mundo ocidental, como resquícios de um colonialismo político-administrativo que imperou durante séculos, e que mais tarde se transmutou em dependência económica, tecnológica e cultural.

Títulos de Chinua Achebe publicados em Portugal:

  • A Flecha de Deus, Edições 70, 1979 (obra original: Arrow of God, 1964);
  • Um Homem Popular, Editorial Caminho, 1987 (obra original: A Man of the People, 1966).

Nota: consultar a press release página oficial do Man Booker International Prize para mais informações (inclui os comentários de Colm Tóibín e de Nadine Gordimer, dois dos três elementos do júri deste ano).

Correcção: voz avisada alertou-me para um erro (gerúndio) no título do 1.º romance de Achebe, prontamente corrigido.