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sexta-feira, 26 de julho de 2013

Parágrafos Redundantes

Como de uma obra para outra o deslumbramento se torna em abominação literária.
Um exemplo da dissipação da palavra impressa numa manta de retalhos norueguesa premiada, a que chamaram romance:
«Eu sabia exa[c]tamente qual a cabana que queria. Disse-lhe o número. Ela [a recepcionista/proprietária] abriu a porta, pousou o balde no vestíbulo e vi-a a tirar a chave do quadro na parede que tinha várias fileiras de pequenos ganchos, um número para cada gancho e o mesmo número na placa plástica presa ao porta-chaves.»
Per Petterson, Maldito seja o rio do tempo, p. 208.
[Alfragide: Dom Quixote, 1.ª edição, Junho de 2013, 237 pp; tradução de Maria João Freire de Andrade; obra original: Jeg forbanner tidens elv, 2008 – se bem que, por preguiça ou por falta de pilim para pagar a um tradutor de norueguês/português, a editora tenha optado por traduzir da tradução em língua inglesa: I Curse the River of Time.]

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Como?

«Eu gosto de ser amada mesmo que barrada de excremento.»

Este epigrama, que se insere na muito em voga corrente poético-escatlógica lusa, foi engenhosamente obrado por Rita Ferro, autora de Sexo na Desportiva, em entrevista concedida à SIC, a propósito da sessão de lançamento do livro de Helena Sacadura Cabral, Porque é que as mulheres gostam dos homens.

Eis um belo exemplo da literatura peristáltica, cada movimentação expulsiva de criatividade vai-nos mentalmente atolando nesta imensa cloaca chamada Portugal.