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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Traições e Engano



Já anda por aí um novo velho livro de Roth, o Philip – embora duvide e suplique para que essa dúvida tenha razão de ser, sim, é o tal que anunciou ao mundo que terminou o seu período de escrita com o maravilhoso Némesis –, o livro intitula-se Engano e não é um equívoco se nos aflorar da mente que já o vimos por terras de Portugal, traduzido na nossa língua: pois, chamava-se Traições, numa versão em capa floreada.
Deception é uma novela de Roth originalmente publicada em 1990 e traduzida em Portugal, no ano seguinte, por Filomena Andrade e Sousa para a Bertrand. Agora, o livro reedita-se com Engano pela Dom Quixote, com tradução de Francisco Agarez, acompanhado de um preço inacreditável de 16,90 euros (dispõe de 208 páginas, mais 32 que a edição da Bertrand, dando-se o facto curioso de que a narrativa de ambos se inicia, precisamente, na mesma página, a 9 – faz-se render o peixe com letra de corpo... Gobern).
Quando em Maio do ano anterior a Dom Quixote iniciou, ao que parecia, a publicação da opera omnia do escritor de Newark, com o aparecimento do fabuloso Goodbye, Columbus (a primeira obra de Roth; publicada em 1959), tudo parecia indicar que se seguiria a tradução do 1.º romance do autor, Letting Go de 1962, seguindo-se o 2.º – e o único cujo protagonista é uma mulher – When She Was Good de 1967.
Pura ilusão.
Note-se, não sou contra a repetição de traduções. Por vezes, a repetição consegue inculcar-nos outra perspectiva da obra que outrora lêramos e de cuja leitura fixáramos doutrina – sem ler o original, não sabemos se por diminuição ou aumento da traição do traduttore. Porém, sou contra o desperdício de traduções sempre que se verifiquem estas duas condições em simultâneo: (1) obras que já existem aceitavelmente traduzidas no mercado nacional e (2) quando grande parte da obra do autor em questão – e neste caso, quase unanimemente considerada como brilhante – ainda não se encontra editada na nossa língua – há um apagão luso de Roth entre 1962 e 1990, com a excepção de O Complexo de Portnoy de 1969 (Portnoy's Complaint).

Para efeitos comparativos o bom, o mau e o vilão (o original, a perda na tradução, e a tradução, já de si perdida, e agora desperdiçada segundo a minha impugnável reflexão – carregar na imagem para a ampliar):


quarta-feira, 31 de outubro de 2012

39 anos, 7 meses e 3 dias

Não se trata de um filme romeno, nem tão-pouco da minha idade (sou infelizmente mais velho, embora cerca de 8 meses, para que conste), mas do tempo que decorreu entre a publicação original e a edição em Portugal de uma transgressão literária que, mesmo na actualidade, continua a fazer torcer várias mentes e a vergar à humilíssima condição de falível humano os reaccionários semideuses defensores do realismo flaubertiano (e há um muito na moda) – como se isto fosse uma competição interescolar ou de mensuração perimetral e da extensibilidade máxima do órgão da soberba na eterna refrega pela masculinidade.

É somente isto:
«Uma berraria vem através do céu. Já aconteceu antes, mas nada há que a compare com agora.»
Com chancela da Bertrand e tradução de Jorge Pereirinha Pires, eis a tão magistral, como polémica, obra de Thomas Pynchon, que motivou mesmo uma suspensão de atribuição do prémio Pulitzer em 1974, embora a obra tivesse sido unanimemente eleita pelo júri nomeado para a categoria de “Ficção” – a talho de foice, constituído pelos escritores e críticos literários Elizabeth Hardwick (1916-2007) e Alfred Kazin (1915-1998), e pelo escritor, ensaísta, eminente académico e crítico cultural Benjamin DeMott (1924-2005) , porém enfaticamente rejeitado pelos visionários membros do Conselho de Administração dos referidos galardões.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Beat to its socks

Pode ler-se, num círculo autocolante aposto à capa da edição portuguesa de mais uma entre dezenas de biografias e livros de memórias sobre o pai beatnik Jack Kerouac, a seguinte frase: «Primeira biografia em português» a rodear o nome do autor biografado, que surge estampado a vermelho e encimando o recorte vazio dos emblemáticos sinais de trânsito que demarcam as estradas norte-americanas.
Apesar de a edição brasileira do mesmo livro datar de 2007, não belisca de forma alguma a veracidade da frase promocional. Na realidade, e nos dias que correm, também no Brasil é a única biografia de Kerouac disponível na língua de Camões.
Para quem conhece outros livros versados sobre a vida do autor de Pela Estrada Fora, para além de alguns factos que, à custa da reiteração, fazem parte do folclore que rodeou aquele bando de desordeiros, toxicómanos, bêbados, pederastas, criminosos (também escreviam livros e pintavam), e que são do conhecimento de alguém com o mínimo interesse na coisa literária, especialmente na literatura americana da segunda metade do século XX, o livro de Yves Buin é uma síntese de biografias de maior fôlego – cito as do lynchiano Barry Gifford e a de Gerald Nicosia, que aliás são profusamente referenciadas por Buin ao longo do texto; como os testemunhos oculares escritos pelos companheiros de viagem do próprio biografado, também eles parte integrante do ruidoso movimento Beat: destaco, neste caso, as obras de John Clellon Holmes ou as de Joyce Johnson (Glassman), assim como as referências cruzadas da omnipresente Carolyn Cassady (mulher de Neal Cassady durante quinze anos e mãe dos seus três filhos – o inspirador do magnum opus de Kerouac, na pele de “Dean Moriarty” – e vértice de um sórdido triângulo luxurioso completado por aqueles).
A obra apresentada por Buin é um apanhado, como uma súmula académica pronta a servir de única base de estudo ao estudante mais indolente, da tortuosa biografia de Kerouac. O livro do pedopsiquiatra francês – e é curioso o prefixo profissional, já que, no auge do movimento cultural retratado, o biógrafo poderia ter sido de uma utilidade ímpar pelos diversos traumas decerto infundidos por aquele bando a inúmeros potenciais clientes – em nada acrescenta ao já publicado, para além de, por um lado e porventura num esforço de síntese, funcionar como um repositório de nomes sem qualquer referência biográfica (prática comummente conhecida por name dropping, que pode ser bem mais viciante que o consumo de yage), e, por outro, se tratar de um texto cronologicamente confuso, sem um marco histórico definido, com recurso a analepses e prolepses consecutivas, que por vezes faz distar dois parágrafos em duas ou mais dezenas de anos. E para dar o remate final poderia trazer à colação a objectividade do investigador que, na prática, sai prejudicada por uma longa narrativa que espremida se assemelha a uma espécie de elegia ao inocente mago literário canuck, apesar de nela se evidenciar uma posição íntima, como um severo ralhete paternalista, de censura pelos excessos cometidos.
Mas o pior não está no texto publicado originalmente pela Gallimard em 2006. A sua edição portuguesa é um verdadeiro desastre: uma tradução miserável, o que indica uma revisão literária ausente ou negligente. Ao longo das trezentas páginas não há um par que não escape a, pelo menos, um erro ortográfico e/ou de sintaxe, e até a um enxame de erros nitidamente tipográficos. É simplesmente inadmissível e ultrajante para o leitor luso, aquele que, em vias de extinção, gasta os seus parcos recursos na aquisição de uma obra com esta especificidade literária, apresentar um livro cujo chorrilho de asneiras torna quase impraticável a sua leitura. Se há casos em que mesmo uma má tradução não implica inexequibilidade da leitura, este seguramente que não é um deles. Muito do que foi dito nos parágrafos anteriores poderá, admito, advir do estado de irritação crescente à medida que me fui embrenhando no livro – erros de género e de número, então, são aos magotes, assim como, é assaz perceptível uma espreitadela, talvez à laia de muleta, na edição brasileira, bem patente no emprego de alguns termos apenas usados por terras de Vera Cruz. Aos responsáveis da editora atrevo-me a lançar um desafio: retirem, rápida e prontamente, a 1.ª edição do mercado, façam uma revisão literária, remodelem a capa com a aposição de uma frase do género “nova tradução” ou “2.ª edição revista”.
A beatitude lusa compadece-se destes casos, sem que se vislumbre qualquer hipótese de usar o qualificativo como um catalisador do engrandecimento do espírito, como defendia Kerouac e Clellon Holmes para a sua embrionária geração; talvez fosse preferível começarmos por adoptar e a adaptar, de uma vez por todas, como uma fatalidade, a origem do termo criado, em primeira mão, pelo beatnik Herbert Huncke, neste caso como a nação estéril, derrotada ou prostrada: beat to its socks.
Referência bibliográfica:
Yves Buin, Jack Kerouac – Biografia. Lisboa: Bertrand, Abril de 2010, 301 pp; tradução de Ana Godinho; obra original: Kerouac, 2006.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Os 20 que são 19…

Foi ontem. A segunda segunda-feira do mês (a 2.ª 2.ª-Feira), neste caso de Outubro, que não quer significar qualquer alinhamento astral com implicações impiedosas sobre o destino humano, porque as há doze vezes ao ano, se exceptuarmos o calendário Maya e quejandos, mas trata-se, isso sim, de mais uma oportunidade para beneficiar da excelente promoção concedida aos utentes do cartão de leitor pela rede de lojas Bertrand no país.
Para um bibliómano é difícil resistir-lhe. Ainda não inventaram a metadona de substituição, que apenas poderia passar por limites de cartão de crédito mais do que excedidos e os impertinentes telefonemas diários dos sisudos gestores de conta (quando é para pagar ou repor, é o momento de descanso dos seus repuxados músculos maxilofaciais de tanto lambebotismo para atingir os objectivos mensais).
Mas como referia, à 2.ª 2.ª-feira anuncia-se um pseudodesconto (adianto-me com o prefixo que lhe dá falsidade) de 20% sobre o preço de capa do livro, repartido da seguinte forma:

  • 10% de desconto imediato no momento da compra;


  • 10% na acumulação de pontos na conta do cartão “Leitor Bertrand” (onde cada euro despendido corresponde a 15 pontos, e a cada 1500 pontos acumulados é emitido um vale de desconto de 10 euros a utilizar na próxima compra em qualquer loja Bertrand do país).

Mais uma pilha de livros e, desta feita, um pouco mais de atenção. A vida não está fácil. De hora a hora somos bombardeados com notícias da derrocada do sistema financeiro mundial. Visões apocalípticas de fazer corar João, o Evangelista. Sérias predições, para uns, uma convicção firmada, para outros, sobre o fim de uma civilização a pedir meças a um universo ficcional huxliano, com laivos de uma veia pirómana de feição bradburiana, e de uma luta desesperada pela sobrevivência, de proporções cataclísmicas, tipicamente wellesiana.
(Prioridade nacional: há que garantir os depósitos da imensa… minoria que conseguiu aforrar – curioso que, por estas bandas, o verbo se transmute numa antonímia insuperável: torrar, derreter, desfazer-se. Há que injectar dinheiro no sistema bancário de forma discricionária e, assim, garantir a manutenção do sistema de compensação aos executivos que, por uma engenharia financeira, estatutária e de aquisição de almas auditoras, aliada a uma pequena desatenção dos reguladores dos mercados, conseguem, anual ou trimestralmente, escapar ao controlo dos accionistas.)

Dada a evidente excitação que o assunto suscitou na minha aquecida alma, o parágrafo anterior surge delimitado por parêntesis, ou seja, é de todo dispensável – prática que poderia ser, perfeitamente, extensível ao parágrafo anterior… ou quiçá ao próprio blogue dada a irrelevância de conteúdo, que se agiganta de dia para dia.

Ponto de ordem: dizia eu, “a vida está cara”. E se me prometem 20% de desconto sobre a aquisição de qualquer bem ou serviço, eu quero, com toda a força que a lei e a ética comercial me concedem, aproveitar e beneficiar desse quinto de generosidade provindo do fornecedor do bem ou do prestador do serviço. Mas há quintos e quintos, até o dos infernos, eis a história do João, (que não tem que ver com o de cima, o tal das trombetas), este é garagista:
O João, munido do seu cartão de leitor e aproveitando a hora de intervalo para o almoço, deslocou-se, de desperdício no bolso, a uma loja Bertrand no dia 13 de Outubro de 2008, pelas 13 horas e 5 minutos. Decorridos 22 minutos e 37 segundos apresentou-se à caixa registadora – e, acrescente-se, após haver constatado que a última edição da revista Ler, que por coincidência pertence ao mesmo grupo proprietário da livraria, ainda não estava disponível, apesar de o tal número ter saído para as bancas na passada sexta-feira – com uma pilha de livros que perfazia o total de 50 euros (três mulheres de fibra – All-Bran –, um xaroposo criativo e uma ave rara: Modignani, MRP®, Allende, Sparks e o consultório, estilo Bruxo de Viena, condensado em livro, sem calva e bigode, do Dr. Phil; ainda pensou no Arquipélago da Insónia mas já havia lido, pelo menos, um dos livros do autor pós Exortação aos Crocodilos, fac-símiles do que se lhe seguiu, e fez lembrar-lhe o recentemente desaparecido Aleksandr e a tortura e essas coisas sem sentido – cabeça em ebulição esta, a do nosso rapaz).

No documento de liquidação/pagamento estavam inscritas as seguintes parcelas:

  • V. Total – 50,00 € (valor bruto)


  • Desconto – 5,00 €


  • A Pagar – 45,00 € (valor líquido)


  • Pontos obtidos com a venda: 675 (ou seja, 45 € x 15 pts./€)

Ora, como 1500 pontos correspondem a 10 euros, então 675 pontos correspondem a 4,50 euros.
Em resumo, o desconto total saldou-se por 9,50 euros (5 € + 4,50 €) que corresponde a 19% do valor bruto da compra, 50 euros.

Na prática a Bertrand aplica uma fórmula de desconto de “10% + 10%” na campanha mensal das “segundas segundas-feiras” e nunca os publicitados “20%”. Em boa verdade vos digo, nem sempre “10+10” é igual a “20”, e bastaria apenas um pouco de boa vontade: retiraria da lama essa ciência exacta proscrita que se chama Matemática e limpava, ai se não limpava!, a honra esmaecida da casa germanico-hispano-lusa.

Pobre João. Enervado com a argumentação… meramente interior – uma vez que é rapaz tímido e jamais levantaria a voz para exigir os seus direitos sem um austero e reivindicativo agente sindical por perto –, ainda tropeça nas placas de sensores de alarme à porta da livraria e estraçalha, por um qualquer gesto amaneirado, exagerado e insólito, o último romance do prolífico Sparks, Um Homem com Sorte… Ah, tudo se resolveria não fosse a seguradora ter falido… Maldito mercado!

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Desgraça [actualização e correcção]

Tristeza. Desgraça. (Para quem tem filhos pequenos, ou já netos, ou acabou há pouco tempo de sair da mirabolante fase da pubescência, sabe a que me refiro).
O grupo Cofina (que se auto-elogiam por XL), sempre generoso com os seus leitores, especialmente na antecipação noticiosa às partes dos processos nas decisões disciplinares emanadas pelo Conselho de Disciplina da Liga de Clubes – o novo pavão, talvez XL, das lides jurídicas assim o vai permitindo com a sua voz de falsete – ou nos despachos de determinados magistrados do Ministério Público – aliás, apenas materializam as incasáveis palavras de Sócrates e dos seus pares, quando se referem à necessidade do estabelecimento de parcerias público-privadas –, desta feita renovou o oferecimento de livros (numa série de oito, por apenas mais 1 euro) todas a quintas-feiras, numa parceria (ao analisar os títulos, chega-se facilmente aos detentores dos direitos de publicação) com as editoras LeYa (7 obras) e Bertrand (1 obra) [ver nota 2 da adenda], curiosamente unidas por comunicados lacónicos onde confirmam a sua ausência da Feira do Livro do Porto. E que tal um boicote aos seus produtos...
No encarte que acompanhou o primeiro livro – que não comprei, e sim, este sim seria oferecido, apesar do pagamento de quase 3 euros por uma revista sem conteúdo aproveitável, e se juntarmos a esta eminência das revistas semanais a autora do livro ofertado, Laura Esquivel, a Ana, Mais Atrevida aproximou-se a passos largos, sem o querer, da qualidade da revista britânica The Economist ou similares –, que uma amável funcionária de uma tabacaria me deixou trazer, vem o alinhamento datado das obras a acompanhar a dita revista: Esquivel, Colleen McCullough, Philip Roth, Gabriel García Márquez, Nadine Gordimer, Paul Auster, Joseph Coetzee e Mário [sic] Vargas Llosa.
Joseph Coetzee? Quem é? Será aparentado com o John Maxwell, o escritor sul-africano, Nobel da Literatura em 2003? Pai, irmão, filho? Avô, bisavô, neto ou bisneto? Mas John Maxwell nasceu em Fevereiro de 1940, tem 68 anos…

Pois claro, foi erro tipográfico. Onde se lê “Joseph” deveria figurar “J.M.”. Aliás, pela similitude, constata-se facilmente que se tratou de um pequeno lapso. Ignorância? Falta de zelo? Jamais (na acepção liniana). Já agora poderiam acrescentar a estas oito obras, uma de J.M. Conrad (ora, para aí... o excepcional Nostromo, porque foi em tempos publicado por uma empresa da LeYa).

Desgraça (Disgrace, 1999), é o título de John Maxwell que sairá a 19 de Junho próximo na dita cuja revista – segunda obra do autor a ser galardoada com o Booker Prize e que neste momento se encontra na lista final, à disposição dos internautas, para a eleição do Booker dos Bookers, na celebração dos 40 anos de existência do mais famoso prémio a galardoar uma obra de ficção original, escrita em língua inglesa, proveniente do Reino Unido, da Irlanda ou dos restantes países da Commonwealth.

Eis a listagem completa:

  • Pat Barker, The Ghost Road, 1995;
  • Peter Carey, Oscar e Lucinda (Oscar and Lucinda, 1988);
  • J.M. Coetzee, Desgraça (Disgrace, 1999);
  • J.G. Farrell, The Siege of Krishnapur, 1973;
  • Nadine Gordimer, O Conservador (The Conservationist, 1974);
  • Salman Rushdie, Os Filhos da Meia-Noite (Midnight's Children, 1981)*.

*Vencedor do Booker dos Bookers na comemoração dos 25 anos de entrega do prémio.

Adenda [18:43, 15/05/2008]

  1. Actualização – na edição desta semana da revista do grupo Cofina, a Sábado, o “Joseph Coetzee” deu lugar a “John Coetzee”. Digamos que se tratou de uma tentativa de emendar a mão sem dar o braço a torcer, transmitindo de novo a ideia de que se tratou de um erro tipográfico. Mal, muito mal. Quando se erra e se adquire a plena consciência desse erro a melhor forma de o emendar é a assunção sem subterfúgios do seu cometimento. Ora, que eu saiba, o Nobel da Literatura sul-africano assina sempre os seus trabalhos como J.M. Coetzee, onde se inclui o romance publicitado, Desgraça (Disgrace, 1999), correspondendo as primeiras iniciais aos seus dois primeiros nomes John Maxwell.
  2. Correcção – Ao contrário do que aqui havia referido, as 8 obras “ofertadas” pela benemérita Cofina, pertencem todas ao grupo editorial LeYa. Assim, no caso da obra da escritora australiana Colleen McCullough, Pássaros Feridos (The Thorn Birds, 1977), apesar de circular uma versão da mesma obra sob a chancela da Difel com direitos de publicação partilhados com a Bertrand, neste momento é a Asa II (pertencente ao grupo LeYa) a detentora dos direitos. Corrigido o erro, não invalida o considerando posterior sobre o virar de costas de ambos os grupos editoriais (LeYa e Bertrand) para a cidade do Porto, pelas anunciadas ausências da edição deste ano da Feira do Livro, que irá decorrer entre 21 de Maio e 10 de Junho no Pavilhão Rosa Mota.